terça-feira, 29 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #14

Sinagoga


 

  

Igreja ortodoxa

Igreja ortodoxa
 
Recebi alguns contatos pedindo sugestões de visitas. A minha dificuldade foi não haver, à data que iniciei, voos diretos a Vilnius, pelo que tive de começar por Riga. De qualquer das formas o serviços dos autocarros Lux Express é magnífico e barato.

Não vale a pena repetir o que já escrevi e escriverei, pelo que deixo fotos e uma sugestão do Copilot IA.

Aqui fica o roteiro da IA:" Roteiro de 3 Dias em Vilnius – Cultura, História e Emoção.
Dia 1 – Coração Histórico e Boemia de Užupis
Manhã: Patrimônio e Espiritualidade
- Catedral de Vilnius e Cripta dos Grão-Duques
- Torre do Sino para vistas incríveis
- Palácio dos Grão-Duques da Lituânia
Meio-dia
- Universidade de Vilnius (fundada em 1579): Igreja de São João e biblioteca histórica
- Almoço no Lokys – restaurante medieval
Tarde: Užupis – Arte e Liberdade
- Ponte para Užupis e leitura da “Constituição” do bairro
- Galerias contemporâneas, como a Užupis Gallery
- Café à beira do rio no Užupio Kavine
Noite
- Rua Literatų (homenagens a escritores)
- Jantar no Etno Dvaras – comida típica com ingredientes locais
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Dia 2 – Memória e Cultura Judaica
Manhã: Museu das Ocupações e Lutas pela Liberdade
- Cela da KGB, salas de tortura, exposições sobre repressão nazista e soviética
- Memorial às vítimas da ocupação
Tarde: Bairro Judeu – A “Jerusalém do Norte”
- Monumento ao Vilna Gaon
- Sinagoga Coral de Vilnius (ainda ativa)
- Local da Grande Sinagoga de Vilnius e antigos becos do gueto
- Tour guiado a pé para entender as histórias marcantes da resistência
Almoço
- Beigelistai – bagels frescos com produtos locais
Final de tarde e Noite
- Senatorių Pasažas: galeria gastronômica charmosa
- Chocolate quente na Chocolate Naive
- Apresentação no Teatro Nacional ou coquetel com vista no Skybar
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Dia 3 – Natureza, Panorama e Castelo de Trakai
Manhã em Vilnius
- Caminhada no Parque Bernardinai
- Subida à Colina das Três Cruzes
- Vista no Bastião de Artilharia
Meio-dia: Bate-volta ao Castelo de Trakai
(30 km de Vilnius – ideal para tarde completa)
- Castelo medieval em ilha rodeado por lagos
- Museu com artefatos da época dos Grão-Duques
- Passeio de barco opcional
- Almoço com pratos típicos caraítas (como kibinai)
Noite
- Retorno a Vilnius
- Jantar tranquilo no Balzac (franco-lituano, ambiente intimista)".

Espero que gostem desta verde, bela e limpinha capital património mundial.
Vítor Franco

domingo, 27 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #12

O Museu das Ocupações e Lutas pela Liberdade, em Vilnius, é um lugar esclarecedor do sofrimento das ocupações, não só e em particular sobre judeus e ciganos, para todas as pessoas que se lhes oponham.
Está na antiga prisão e prédio do KGB; partilha também o nascimento e derrota militar do movimento partisan de independência.

 

Da sala de fuzilamentos, às de tortura, das micro “salas” de castigo onde quase só se conseguia estar em pé, às salas em que os presos eram colocados numa pequena plataforma circular de onde se saíssem ficavam dentro de água gelada, acabo por ficar surpreendido por tanta imaginação na maldade e ódio “humano” - mesmo depois de ter visitado 4 campos de concentração nazi fascista.

Fotos de crâneos com tiros na cabeça 

 
De tarde estive solidário no protesto de refugiados bielorrussos pela libertação da prisão de centenas de pessoas, ou milhares, que se opõem a este regime e lutam pela democracia.

 

O dia 27 de julho tem um significado histórico especial na Bielorrússia: “foi nesta data, em 1990, que o país proclamou a sua Declaração de Soberania, marcando um passo decisivo rumo à independência da então República Socialista Soviética da Bielorrússia.
Por que essa data é marcante?
- Representa o início da transição da Bielorrússia para um estado soberano e independente.
- A declaração afirmava o direito da Bielorrússia de determinar seu próprio destino político, econômico e cultural.
- Embora a independência formal tenha sido reconhecida em dezembro de 1991, o 27 de julho é visto como o nascimento da soberania nacional.
- Oficialmente, o Dia da Independência é celebrado em 3 de julho, data da libertação de Minsk dos nazi fascistas em 1944.”
Por tudo isto, a publicação é só sobre estes temas e as fotos de hoje estão em cinzento.
Vítor Franco

sábado, 26 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #11

E se fossemos almoçar à Bielorrússia? Ah ah ah...

 

 

Vamos lá tentar passar a fronteira, galdeirinha estás pronta? Ao que ela pôs logo as luzes em pisca pisca.
Então, hoje foi pedalar até à fronteira, que está aberta mas quase sem tráfego, estavam vários camiões à espera, de dez em dez minutos aparece um carro. Claro que não deixam passar bicicletas, eu até sabia, mas vale sempre a pena tentar - até para ver o que acontece :). Ainda troquei umas palavras com um senhor do primeiro controlo de passagem [que não esteve para me aturar, só fazia era abanar a cabeça negativamente. Na volta pensava, hoje havia de aturar este maluco :)], depois meti fala com um motorista russo, mas, foi um diálogo curto devido à dificuldade de comunicação; usei o tradutor, frases simples e curtas, quis saber de onde eu era e como ali tinha chegado. Não falámos de política, claro... 
Passada esta "festa" da fronteira, começo por partilhar a história deste monumento mesmo ali ao lado.


Cito: “Este monumento presta homenagem às vítimas do ataque, de Medininkai, ocorrido em 31 de julho de 1991”, faltam 5 dias para fazer 34 anos, “na fronteira entre a Lituânia e a Bielorrússia, durante o processo de independência da Lituânia da União Soviética.
Naquela madrugada, forças especiais soviéticas (OMON) atacaram o posto fronteiriço de Medininkai, matando sete oficiais lituanos.”
Este monumento é mais um exemplo de como está tão viva a memória lituana. Em coerência, o apoio à Ucrânia está visível por todo o lado. São imensas as bandeiras ucranianas e até os autocarros têm, à frente, 💗 Ucrânia!
 

Tomei então o rumo do castelo de Medininkai para uma visita. É um castelo feito num alto desta povoação fronteira, à volta é campo e floresta, do lado bielorusso é torres de vigia e arame farpado :). O castelo tem uma pequena exposição de quadros alusivos ao lugar, batalhas medievais, armas e armaduras.
A fome apertava pois a bucha já tinha ido há tempo. Perguntei por lugares de comida na receção do castelo mas a senhora não compreendia nada, estava pior do que eu :), foi chamar uma senhora que até dava uns toques em portunhol, lá me indicou...
Foram 71 km com um regresso mais refrescado pela chuva leve que de vez em quando descia à terra. Soube bem!
Vítor Franco


sexta-feira, 25 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #10

“O que faz você por aqui?”. Ops, estou a ouvir português!!!


Olá, eu sou o Vítor (...), “eu sou o João Bandeira” (...) e começámos a conversar… O João, que é de Sintra estava aqui com a esposa lituana… Foi muito bom ter conhecido o João, deu-me várias sugestões e boas ideias (...) podíamos ter ficado a falar horas… Obrigado João!
A família chamava-o, a mim chamava-me Kernavé. Afinal tinha pedalado 24 km, além do comboio, para cá chegar.


 

 

Vale sempre a pena. Aprender com a história humana dá-nos capacitação para o presente e o futuro. Do exemplo que é a construção de casas de madeira por encaixe que ainda hoje se pratica, às formas de estrutura social e produtiva, há olhares atentos a fazer. Hoje, três ciclistas chegaram, deram “meia-volta” e desandaram. O que terão ganho de conhecimento?!

Então, citando a informação oficial, “Kernavė, conhecida como a “primeira capital da Lituânia”, é um tesouro arqueológico e histórico que foi inscrito como Património Mundial da UNESCO em 2004. Localizada no vale do rio Neris esta área preserva vestígios de ocupação humana que remontam a mais de 10 mil anos.
O que torna Kernavė especial?
- Cinco colinas fortificadas formam um sistema defensivo impressionante da Idade Média.
- Vestígios arqueológicos que vão do Paleolítico até os tempos medievais, incluindo cemitérios, assentamentos e fortificações.
- Foi uma cidade feudal importante até ser destruída pela Ordem Teutônica no século XIV.”

Vítor Franco
 

Informação mais detalhada da página do sítio:
“ASSENTAMENTO DA IDADE DA PEDRA (1a metade do VIII-II milénio a.C.).
Os primeiros habitantes de Kernavé surgiram há 11 mil anos. Durante o período Neolítico (primeira metade do IV-II milénio a.C.), os acampamentos temporários de caçadores e pescadores do Mesolítico (séculos VII-V a.C.) foram substituídos por povoações permanentes situadas no primeiro formidável terraço nas margens do rio Neris.
ASSENTAMENTO DA IDADE DO BRONZE (séculos XVI-VI a.C.).
Povoados não fortificados foram estabelecidos na orla do primeiro terraço do dique de Neris. Nessa época, as pessoas fabricavam armas e ferramentas com matérias-primas locais: pedra, osso e chifre. Os artigos de bronze importados eram muito raros.
CEMITÉRIO DA IDADE DO BRONZE FINAL E DA IDADE DO FERRO INICIAIS (10 milénio a.C.).
As escavações em Kernavé revelaram uma tradição funerária praticamente desconhecida entre os povos do Báltico Oriental no período anterior a Cristo. Os povos da cultura da Cerâmica Listrada, que viviam em Kernavé nessa época, enterravam os seus mortos de três formas. Os ossos cremados de alguns eram colocados em fossos simples, os de outros em urnas de barro moldadas a mão e os de outros em sepulturas cuidadosamente dispostas e revestidas de pedra, chamadas criptas.
ASSENTAMENTO E CAMPO FUNERÁRIO DO PERÍODO ROMANO (séculos IV d.C.)
O período romano é a idade de ouro das culturas bálticas que floresceram entre o baixo Vistula, a oeste, e o interflúvio Volga-Oka, a leste. Nessa altura, os habitantes de Kernavé começaram a produzir ferro em grande escala a partir do minério de pântano local, e a agricultura e a pecuária desenvolveram-se no fértil Vale de Pajauta. Grandes povoados não fortificados foram estabelecidos junto aos campos cultivados. O vale, com o monte fortificado de Aukura, estava ligado por uma via construída através do pântano - a mais antiga estrada de superfície dura ainda existente na Lituânia. Os mortos não queimados eram enterrados no túmulo na parte sul do Vale de Pajauta (século IV d.C.).
ASSENTAMENTO DA IDADE MÉDIA DO FERRO (primeira metade do séc. IX).
A ldade Média do Ferro é um período de mudanças significativas no território da Lituânia e dos países vizinhos. A Grande Migração das Nações, que abrangeu toda a Europa, não ignorou a Lituânia. Os brutais ataques inimigos em meados do século V reduziram as fortificações da Colina de Aukurs a cinzas. O castelo não tardou a ser reconstruído superior do rio, no local da futura Colina do Castelo, do Trono de Mindaugas e dos montes de Lizdeika.
CIDADE BAIXA DE KERNAVÉ (séculos XIII-XIV).
Kernavé é uma das cidades mais antigas da Lituânia, mencionada em fontes escritas desde 1279. A cidade feudal consistia numa parte fortificada da cidade sobre os montes e nas cidades de Kernavé Inferior e Superior. Na cidade de Kernavé Inferior, no Vale de Pajauta, existiam alojamentos de artesãos e comerciantes. Ricas propriedades de um osseiro, joalheiro e ferreiro foram aqui descobertas. Sedimentos fluviais, que enterraram os abandonados após 1390.
A cidade dos Cavaleiros Teutónicos no Vale de Pajauta foi perfeitamente preservada até aos dias de hoje com muitos vestígios de edifícios feitos de materiais orgânicos da época.

CIDADE ALTA DE KERNAVÉ (finais do século XIII - século XIV).
O fortalecimento de Kernavé - sob o governo do Grão-Duque Traidenis (1269-1282) Capital- a cidade começa a crescer no terraço superior do rio Neris.
CEMITÉRIO DA CIDADE DE KERNAVÉ, séculos XIII-XIV.
Durante muito tempo, acreditou-se que os antigos lituanos cremavam os seus mortos, até à adoção do cristianismo. Pesquisas no cemitério de Kernavé, onde os habitantes da cidade eram sepultados nos séculos XIII e XIV, mostraram que, embora permanecessem oficialmente pagãos, os habitantes da Lituânia Oriental adotaram alguns dos costumes funerários predominantes na parte cristã do Grão-Ducado da Lituânia. Os túmulos são construídos em pedra, com os mortos deitados com as cabeças viradas. VAUS MEDIEVAIS ATRAVÉS DO NARS.
Kernavé do século XIV foi um grande centro defensivo que protegia as abordagens de Vilnius.
Em Kernavé, cruzavam-se até cinco rotas teutónicas para o leste e sudeste da Lituânia. Em Kernavé, o exército da Ordem atravessou o Neris três vaus eram conhecidos pelos batedores, um Ataivalga (hoje Baltas kalnas), o segundo, acima de Kernavé, a uma distância tal que se ouvia um grito vindo do quartel-general do príncipe (Aukuras kalnas), e o terceiro, a dois gritos de distância do segundo, perto de Sidaras.”
Nota: este texto é uma tradução das descrições oficiais, que poderá não estar exata ou omissão em palavras por ser feito por foto tradução em telemóvel.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #9

Hoje é o dia da sátira, às vezes é a melhor maneira para enfrentar a mediocridade. Começa com vídeos "humorísticos" satirizando a incompetência - ou a ausência de um rumo lúcido, lógico e de harmonia entre urbanismo, pessoas e natureza.

          
Essa sátira incide, em particular, sobre os poderes que têm governado o concelho de Santarém. De facto, a subordinação ao dogma automóvel tem feito perder imensas oportunidade de melhoria da qualidade de vida, de segurança e de mobilidade saudável às pessoas. É que temos, e estas têm sido as decisões votadas pela população.
Uma surpresa interessante foi a visita a outro parque, junto ao rio, onde está um cemitério dos soldados da 1ª guerra mundial. Deixo as imagens.

          
O dia de hoje acabou de forma muito séria, com uma visita à torre de televisão. O que terá de interesse uma torre de sinal de televisão, perguntarão? É que ela representa um momento histórico da emancipação da Letónia face ao domínio da Rússia, momento que ficou marcado por uma repressão à população com vítimas mortais. Em janeiro de 1991, há apenas 34 anos, deu-se um acontecimento dramático e vital na história da Lituânia. Veja o vídeo.
As imagens falam por si!
Vítor Franco

 











quarta-feira, 23 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #8


Hoje iniciou-se a terceira fase, o “bate-volta” a lugares históricos com base no centro histórico de Vilnius e património mundial.

O Castelo de Trakai foi o destino. Bicicleta em linha e lá fomos fazer os 32km até essa “verdadeira joia medieval” da Lituânia.
Outra vez uma estrada com muito movimento; lá fomos, ciclovias de vez em quando, uma estrada ou outra mais interior bom comportamento dos motoristas.
A caracterização informativa diz que é um “castelo especial.
 

- Construído no século XIV em uma ilha no lago Galvė, é o único castelo insular da Europa Oriental
- Sua arquitetura gótica e os tijolos vermelhos criam um visual digno de contos de fadas
- Foi residência dos Grão-Duques da Lituânia e palco de festas luxuosas”.
 


Na verdade é bonito, toda a envolvência o é, já está candidato a património mundial.
O castelo está em recuperação nalgumas torres. Contém exposições com variados objetos preciosos, armaduras, pinturas, etc, etc.

O lugar de Trakai é caraterizado pelas bonitas casas em madeira.

O almoço voltou a ser parras de uva . Fiz ainda a visita ao castelo/museu, já perto da igreja ortodoxa, que me deu faz dar nota negativa pela desorganização e pela antipatia.


Optei por fazer a volta a Vilnius de comboio, pois já foi em hora de ponta e tento sempre correr menos riscos.
Sabiam que o clube de Vilnius equipa como o Sporting? O clube do "pardal de trigo" ainda não vi nada. Não se zanguem .

Uma nota para a viagem de Tallinn a Vilnius, de ontem, com a Lux Express. Trabalham muito bem. O autocarro tinha um lugar só para bicicleta, não foi preciso desmontar nada, WC, máquina de café, chá, capuccino, gratuito [eu só bebi dois chocolates, dois capuccinos e dois cafés em 9 horas de viagem está bom. ], água, tudo gratuito. O autocarro tem WiFi, TV, filmes, rádio…, muito confortável. Bom e barato! Estão de parabéns!
Vítor Franco

Um mundo infestado de demónios

Ilustração digital. Mais Ribatejo/IA Este é o título de um dos magníficos livros de Carl Sagan . Na contracapa o texto começa com a pergunta...