Ecovia do Vouga, 111,2 km, Aveiro - Viseu, esteve só 35°, bebi 8 litros de água, 4 gels, 4 barritas, 3 eletrólitos em pó, 8 pastilhas de isostar, e dois banhos debaixo das fontes, 2 "duches em torneiras públicas.
O percurso terá talvez uns 30km de estrada, talvez outros 30 de ciclovia pavimentada e o restante em gravilha. Percurso bem sinalizado, mas sugiro que levem sempre o gpx. De comboio de Santarém para Aveiro.
Aqui vão as fotos mais interessantes para vos aguçar o apetite.
sexta-feira, 26 de junho de 2026
quarta-feira, 27 de maio de 2026
Ciclovia do Dão e rota do Mondego
Viseu - Coimbra, ciclovia do Dão e rota do Mondego. Mais 115km; fónix, todas as barritas ficaram líquidas, tanto calor, valeu que ainda tinha 3 gels e sais em pó.. A safa foi a ciclovia do Dão ter muita sombra e ser tendencialmente a descer.
Aviso à malta que queira ir fazer: há vários cortes, da ciclovia, a EN2 - com o IP3 ficou uma confusão, trilhos intransitáveis que tentei seguir... Se quiserem descarreguem os tracks do meu Strava. É um tanto "frustrante" saber que estás perto do objetivo e não saber como ir para lá...
Estes dois dias foram bons Desafios Positivos D+ , chegado ao fim senti-me realizado, vivo, na luta!
Mais umas fotos para entusiasmar o pessoal. Os vales do rio Mondego são muito interessantes, pena não ter tempo. De lamentar o vandalismo, grafites, no património histórico e cultural, como é exemplo nesta carruagem do Dão.
De volta no comboio com o célebre passe ferroviário verde
Estes dois dias foram bons Desafios Positivos D+ , chegado ao fim senti-me realizado, vivo, na luta!
Mais umas fotos para entusiasmar o pessoal. Os vales do rio Mondego são muito interessantes, pena não ter tempo. De lamentar o vandalismo, grafites, no património histórico e cultural, como é exemplo nesta carruagem do Dão.
De volta no comboio com o célebre passe ferroviário verde

Vítor Franco
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Rota Azul da Ria de Aveiro: 135 km de bicicleta, maravilha entre a natureza e o mar.
A Ria de Aveiro oferece-se ao viajante de forma particularmente generosa quando percorrida de bicicleta. Nesta crónica em vídeo, partilho uma proposta simples: descobrir a chamada “Rota Azul”, um percurso com cerca de 130 a 135 quilómetros, essencialmente plano, que permite uma experiência prolongada de contacto com a natureza, longe do tráfego e do ruído.
O ponto de partida é Aveiro, com uma vantagem prática que importa sublinhar: a possibilidade de viajar de comboio com bicicleta, desde que se assegure a respetiva reserva. A partir daí, a sugestão é seguir pelo interior da ria, em direção a Estarreja, privilegiando caminhos tranquilos e paisagens abertas.
Logo no início, encontram-se os passadiços de Aveiro, preparados para a circulação de bicicletas — uma solução rara e particularmente bem conseguida. O percurso alterna depois entre troços em terra batida e caminhos compactados, atravessando zonas de pinhal e eucaliptal, onde o silêncio e os aromas da vegetação se impõem como parte integrante da viagem. Ao longo do trajeto, a presença de aves, nomeadamente cegonhas, reforça a sensação de proximidade com o ecossistema da ria.
A proposta que deixo é fazer este percurso em dois dias. A primeira etapa pode terminar no Furadouro, junto ao mar, onde se encontram boas opções para repouso e para uma refeição centrada no peixe local. A segunda etapa segue para sul, tirando partido dos ventos dominantes de norte, o que, em regra, facilita a progressão.
Ao longo do percurso, há ainda espaço para algo que considero essencial: o contacto com as pessoas. A conversa com pescadores e habitantes locais acrescenta uma dimensão humana que nenhuma paisagem, por mais bonita que seja, consegue substituir.
Naturalmente, as condições do terreno podem variar. Em períodos de chuva intensa, alguns troços tornam-se mais difíceis, com lama ou cortes pontuais. Ainda assim, trata-se de um percurso com enorme potencial, que conjuga acessibilidade, diversidade paisagística e autenticidade.
Esta não é apenas uma sugestão de rota. É, acima de tudo, uma forma de estar: pedalar devagar, observar, escutar e deixar que o território se revele sem pressa.
Gpx aqui:https://granderota.riadeaveiro.pt/grande.../percurso-azul/
GRANDEROTA.RIADEAVEIRO.PT
Percurso Azul da Grande Rota da Ria de Aveiro - Ria de Aveiro
Vídeo do jornal digital Mais Ribatejo, clique aqui: https://youtu.be/eaxNBNrA2bg?si=nYBNcoFYLqtGh8Xh
Vítor Franco
Vítor Franco
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Comboios com problemas bons
A criação do passe ferroviário verde foi uma ótima medida de fomento do serviço público ferroviário.
Este passe ferroviário fez encher os comboios, diminuiu a necessidade do automóvel – espero que tenha contribuído para a diminuição de acidentes -, diminuiu a poluição rodoviária e atraiu para os comboios pessoas que normalmente não o usam nas suas viagens mais ocasionais.
A boa medida “criou” problemas bons. Ficou mais evidente a falta de comboios para as necessidades já antes verificadas, locomotivas e carruagens, a falta de mais comboios em horários mais alargados e uma cobertura mais alargada e coerente do país.
A limitação da compra só nas 24 horas antes do horário do comboio criou uma corrida em que os bilhetes desaparecem num ápice, ao que pessoas algumas pessoas contornaram comprando bilhete para uma estação anterior à sua. A primeira solução criou a instabilidade de se conseguir ou não bilhete – os lugares esgotados tornaram-se uma normalidade -, a segunda agravou ainda mais o esgotamento porque passou a haver lugares vazios de pessoas que só vão entrar em estações à frente.
Tais factos estão identificados, esperam-se medidas corretivas.
O jornal Público de hoje traz uma boa matéria sobre esta situação. A dada altura, escreve o jornalista Carlos Cipriano: “A CP continua com cerca de 20% da sua frota de carruagens do Intercidades encostada nas oficinas à espera de manutenção e de reparação. Faltam peças, que a empresa não pode comprar sem autorização da tutela financeira, e faltam operários, que não consegue recrutar ou manter, porque não está autorizada a subir os salários”. É aqui que entra o garrote do orçamento.
Uma boa medida é estrangulada se não se libertarem os meios financeiros para a concretizar e se não se romper com o dogma de que os salários em Portugal têm que ser dos mais baixos da Europa.
Conhecemos as consequências do desinvestimento nos variados serviços públicos, na saúde, na educação, na limpeza urbana… Conhecemos as consequências da demissão do Estado da construção de habitação pública a preços controlados porque se submete ao dogma de que o mercado resolve. Está à vista!
Um pouco em sentido inverso, tem ocorrido um conjunto de melhorias na política de transportes públicos em particular nos passes, por exemplo a gratuitidade para jovens, maior apoio social e novos passes nacionais ferroviários. O passe jovem abrange todos os estudantes até 23 anos, Passe Social + já existia foi alargado abrangendo agora 2,5 vezes mais pessoas, etc, [mais dados aqui].
Estão criados problemas bons, criados por melhorias; agora é preciso que o governo seja consequente com as boas medidas e deixe de lado os seus dogmas de mercado. A ver vamos!
Vítor Franco
(Também publicado no jornal online Mais Ribatejo)
Ouça aqui a crónica sonora:
Ouça aqui a crónica sonora:
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
O rapaz do hospital
O rapaz tinha cursado eletricidade, acabado o antigo curso complementar dedicou-se a calejar as mãos que os escudos faziam falta e o desejo de autonomia ardia no peito.
Depois de um “estágio” de servente de pedreiro ingressou como eletricista na construção do Hospital de Santarém. Quando ele fala desse tempo fá-lo com gosto. Lembra-se do grande refeitório, da grande fogueira onde se assava carne, da relação muito solidária com os colegas, de quando organizou um protesto porque a direção de obra não deixou entrar bicicletas e motorizadas, dos plenários e das greves, de uma bonita filha do encarregado que trabalhava na secretaria, de quando separou uma briga de colegas… Coisas de rapazes com “sangue na guelra” em tempos de entusiasmo popular.
O rapaz seguiu outros trabalhos, mas as obras do hospital continuaram. O Hospital Distrital de Santarém foi inaugurado em 15 de novembro de 1985. Foi um salto positivo e enorme na construção do Serviço Nacional de Saúde e dos cuidados à população.
Como em alguns filmes, a narrativa dá um salto. O Hospital já fez 40 anos! É a partir daqui que a narrativa se transfigura olhando para o estado a que este chegou…
Agora o hospital está muito mais moderno e até tem página de internet, com isso ganhamos transparência. É nela que podemos ver, por exemplo, os desmesurados tempos de espera para as consultas de duas especialidades, cujo atendimento prima pela fragilidade.
Ginecologia nº utentes dias de espera Obstetrícia nº utentes dias de espera
Muito prioritário 19 31 Muito prioritário 50 18
Prioritário 132 57 Prioritário 106 37
Normal 214 533 Normal 42 44
Tais factos deveriam incentivar a comunidade a indignar-se. Nem com cerca de 50 crianças a nascerem em ambulâncias ou episódios sucessivos de aflição de mulheres grávidas?!
Em dezembro de 2022 o governo criou o chamado “Programa nascer em segurança no SNS”. Este programa foi anunciado depois de meses e meses de problemas com encerramentos de urgências. Os problemas continuaram, deixou-se de falar no programa – salvo quando vemos reportagens nas TVs, por vezes com desfecho dramático.
Mudou o governo, a situação parece estar ainda pior. Nos passados dias de 31 de dezembro e 1 de janeiro os hospitais de Santarém, Abrantes e Vila Franca de Xira tiveram as urgências de obstetrícia, ginecologia e pediatria encerrados. Toda esta faixa central do país ficou sem assistência. É deveras tristemente espantoso!
Ainda no que ao nosso hospital diz respeito, já em 3 de março de 2023 as notícias indicavam que só tínhamos 8 em 20 anestesistas necessários, 19 em 40 médicos de medicina interna necessários, 5 em 14 ortopedistas necessários…
Por falar em notícias, no dia 5 de junho de 2025 a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, ASAE, fechou a cozinha do hospital por irregularidades que se arrastavam desde 2020, tendo só reaberto depois de finalizadas as correções das irregularidades.
Toda esta degradação do Serviço Nacional de Saúde que atravessou vários governos foi propositada [acusação forte?] – ou parece. Esta degradação do SNS obrigou milhões de portugueses a recorrer a seguros privados passando a pagar duas vezes mais [no seu desconto salarial + apólice de seguro] pelos cuidados de saúde que a Constituição da República diz deverem ser tendencialmente gratuitos.
Afinal, tudo isto, veio abrir espaço de negócio para Santarém já ter dois hospitais privados, cujas empresas lucrarão com as nossas necessidades de cuidados de saúde. O novo hospital privado atrairá ainda mais pessoal de saúde para os seus quadros pagando mais e dando melhores condições. O SNS ficará ainda mais fragilizado!
Afinal, com tudo isto, parece que normalizámos o que não é normal, parece que nos anestesiámos… !
Afinal, tudo isto, nem era para falar do rapaz do hospital que mandava fulminantes para a fogueira dos assados ou da tentativa de boicote dos trabalhadores à festa do “pau de fileira”…
Vítor Franco
(Também publicado no jornal online Mais Ribatejo)
Ouça a crónica sonora aqui:
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