domingo, 16 de agosto de 2026

OS INADIMPLENTES E A INADIMPLÊNCIA

Minha mãe e meu pai tinham livros de registo de dívidas nas suas mercearias. Era normal haver clientes a comprar fiado, pois muitas vezes recebia-se a parca jorna à semana e ao mês. O cliente tinha também o seu livrinho, quando comprava fiado era escrito nos dois livros o igual valor. As dívidas eram essencialmente de alimentação e produtos básicos às humildes subsistências e nem sempre cobráveis. Então, haviam clientes das mercearias que eram inadimplentes, faziam inadimplência.

Trago este tema à escrita porque li hoje uma palavra que há muitos anos não saía do “baú”: inadimplência. Ela “veio à luz” numa newsletter do portal económico Quartz.
Quartz trouxe a notícia de que “A dívida dos americanos com cartões de crédito disparou para US$ 1,26 trilhão, aproximando-se de um recorde histórico…” intitula o artigo. Na escala portuguesa será um bilião, cento e nove mil milhões, novecentos e trinta e quatro milhões de euros € 1 109 934 000 000. [1 trillion = 1.000 billion = 1.000.000 milhões = 1 bilião em português europeu]. Ter em atenção que a dívida em cartão de crédito é apenas 7% das dívidas nos EUA [Reuters]. E (…) dos “175 milhões de americanos com cartões de crédito, cerca de 60% não pagam o saldo integralmente todos os meses”!!!

Parti à pesquisa. Descobri outra notícia que diz que parte significativa da dívida de saúde vem das famílias de baixos rendimentos: “pelo menos 14 milhões de americanos devem mais de US$ 1.000 em despesas médicas e cerca de 3 milhões devem mais de US$ 10.000” [Kff.org]. Pior. A Reuters informa das "cobranças inflacionadas ou duplicadas, honorários por serviços que o paciente nunca recebeu ou cobranças já pagas (…), com americanos perseguidos injustamente por empresas de cobrança de dívidas por contas médicas infundadas ou inválidas."
- Em Portugal o Serviço Nacional de Saúde português é tendencialmente gratuito!

Cerca de 9% da dívida castiga os mais jovens, “os empréstimos estudantis totalizam US$ 1,65 biliões”. É o direito ao conhecimento mercantilizado, é o futuro melhor dependente de um empréstimo, é a inversão do conceito de democracia. Logo em jovens, a dívida torna-se normalidade! Aprender é um direito da democracia, não é um negócio bancário!
- Em Portugal o Ensino Público obrigatório é gratuito e o superior é tendencialmente gratuito! É uma das conquistas de abril… Pois…

O império da dívida é a dependência eterna!
Quadro de dados do BCE, comparação EUA - Portugal:


Os dados são profundamente esclarecedores. Tenhamos claro: os serviços públicos como a saúde e a educação, com os quais o Estado apoia as pessoas, são devolução em salário indireto das contribuições que fizemos nas nossas remunerações ou atividades. Os serviços públicos não podem gerar mais dívida!

1. Os dados e factos dos EUA mostram que mercantilização dos serviços públicos dificulta o acesso da população, aumenta a pobreza, a dívida e tende a criar dependência que dura para toda a vida. O quadro anexo mostra uma enorme diferença entre os EUA e Portugal na dívida per capita. Relevante, o país das oportunidades, o país dito como referência da democracia, a maior potência económica do mundo é o país da dívida!

2. O salário digno tem vindo a ser substituído por salário + dívida. O salário não acompanha as novas necessidades e a evolução humana; o salário digno é substituído por dívida - isso subordina as pessoas.
Na usurpação dos rendimentos, incluindo aos próprios Estados, este regime económico / político – o capitalismo realmente existente – não vive sem dívida. A dívida “eterna” garante juros, predomínio da financeirização da economia, mas também capacidade de investimento estatal e empresarial ou o consumo dos novos produtos que substituem os que ficam “caducos… Objetivamente, a dívida é a dependência e a subjugação aos ratings dos mercados da dívida controlados por uma micro minoria, é até, a subjugação da independência dos povos!

3. A habitação e a inadimplência estarão no centro de uma nova crise? Quiçá, caminhamos para uma nova crise, recordo que a habitação foi o epicentro da crise de 2008. O colapso da bolha imobiliária nos EUA desencadeou incumprimentos, falências bancárias e uma crise financeira global sem precedentes desde 1929. Em Portugal temos juros a subir, créditos bancários a subir, preços continuamente a subir “exponencialmente” [os preços das casas em Portugal subiram 16,5% só nos primeiros três meses de 2026]…
Em sentido inverso, a pressão é para salários baixos / tentativas governamentais de alterar as leis de trabalho para baixar ainda mais os salários, precariedade em crescimento e agora o anúncio de aumento 58% das insolvências, face a julho homólogo, em Portugal…
Portugal tem cerca de 88 mil casas à venda [site Doutor Finanças/observatorio-imobiliario-maio-2026] e o número real de casas vazias em Portugal é superior a 700 mil [portal idealista]. Como Portugal, e imensos países, comprovam é que só a intervenção decisiva do Estado na criação da habitação pública e na limitação da transferência de habitação permanente para Airbnbs é que conseguirá regular.

4. Concluo: i) este modelo económico substitui salários dignos por dívida, ii) direitos essenciais e públicos por mercantilização liberal da vida humana e, iii) um mercado que limita a democracia a uma formalidade em perda de conteúdo!

Há muito a pensar… 
Vítor Franco
Também publicado no jornal Mais Ribatejo

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Santarém - Lisboa ou Lisboa - Santarém em bike

É um percurso que sugiro vivamente. Voltei a ele, este dia "fresquinho" de 11 de agosto - pré eclipse.

Bonito azulejo da estação ferroviária de Santarém, manipulada para realçar só com a bike.

Desta vez foi para mostrar a um amigo a riqueza cultural e social da nossa terra. Foi também muito interessante para mostrar e contar aquilo que foi a minha juventude de trabalhos nas colheitas [neste momento foi mais o tomate e o pimento] em contraste com o que é hoje a mecanização da agricultura.

Foi um prazer visitar as aldeias avieiras e contar as suas histórias [clique aqui para artigo específico]. Apesar da degradação e uma certa perda de identidade das aldeias avieiras destaco a Palhota e elogio a preservação da casa onde viveu o escritor Alves Redol para escrever o seu livro dedicado a estas comunidades.

Os campos estavam, estão, muito secos, o que acaba por ser favorável à progressão. As bicicletas usadas foram as de gravel e btt. As visitas às Caneiras, Palhota e Porto da Palha acabam sempre por acrescentar uns kms àquilo que possa ser a voragem de pedalar. Mas, afinal, a pedalada é para se fazer sentindo e vivendo o espaço envolvente.


São ainda evidentes os prejuízos causados pelas cheias, nomeadamente em Valada. Todos e todas conhecem os benefícios das cheias, entre outras coisas é bom para "tratar" do invasor jacinto de água: levou uma varridela para as terras ou para o mar.

Boa surpresa foram também os flamingos já perto do Parque das Nações. Vila Franca de Xira marca ensinamento público com o seu passeio à beira rio, com o seu excelente museu do neorrealismo e por bons restaurantes onde comi umas belas enguias fritas.

A pedalada faz-se na direção que se quiser, se começares em Lisboa podes seguir as setas amarelas do Caminho de Santiago / Fátima. A volta pode fazer-se pelo comboio, de forma barata e confortável. O comboio tem ainda a vantagem de se poder "desistir" em qualquer lugar, que quase se tem sempre uma estação de comboio.

Se alguém precisar de gpx diga ;)

Vítor Franco



quarta-feira, 29 de julho de 2026

Os incêndios e as tragédias que vão continuar a crescer!

Uma fotografia cedida pelo Serviço Departamental de Bombeiros e Salvamento 33 (SDIS 33), o serviço oficial de bombeiros e salvamento da região de Gironde, mostra uma aeronave da Segurança Civil francesa a sobrevoar uma zona afetada por um incêndio no Camp de Souge, em Martignas-sur-Jalle, perto de Bordéus, no sudoeste de França, a 28 de julho de 2026. A França prepara-se para a próxima grande onda de calor do ano, enquanto os bombeiros continuam a combater grandes incêndios florestais perto de Bordéus. EPA/SDIS33/MATTHIEU PENZ

O título pode ser especulativo, pode, vamos a factos.

1. A França sofre os maiores e mais graves incêndios de sempre. Os números são dramáticos: mais de “42 000 hectares ardidos, só no principal incêndio, centenas de casas destruídas, 250 000 pessoas evacuadas no conjunto das áreas afetadas”. O fogo criou grandes colunas de fumo e calor “capazes de produzir ventos, relâmpagos e novos focos — o chamado fenómeno de tempestade de fogo ou pyrocumulonimbus”. (apnews. com)

2. A Espanha sofre também os maiores incêndios. Espanha vive “uma das piores épocas de incêndios em décadas”, com muitos fogos simultâneos. Tem mais de “75.000 pessoas evacuadas, 30.000 confinadas, uma área ardida entre 130.000 e 168.000 hectares só desde janeiro, mais de 77.000 hectares ardidos e pelo menos 14 vítimas só este mês”. (france24.com)

3. Itália, Grécia e Portugal, parecem estar um pouco menos castigados até agora. No entanto, em “2024 e 2025, Portugal, Grécia e Itália sofreram épocas de incêndios extremamente severas, com áreas ardidas muito acima da média histórica, impulsionadas por ondas de calor mais longas, secas persistentes e temporadas de fogo cada vez mais extensas”. (intellinews.com/europe)

4. A mortalidade teve recordes, neste mês de junho, devido às canículas que crescem na duração e na intensidade. “Pelo menos 12.000 mortes em excesso durante a canícula de junho de 2026 em nove países europeus. A maioria das vítimas (mais de 9.000) tinha 65 anos ou mais”. (Euronews.com)

5. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, “os glaciares perderam, em média, cerca de 273 mil milhões de toneladas de gelo por ano entre 2000 e 2023. Entre 2022 e 2024 ocorreu a maior perda de massa glaciar acumulada em três anos desde o início dos registos”. (wmo.int/news/media-centre). Todas as organizações científicas confirmam a subida da temperatura do planeta. Se dúvidas ainda houvessem, aqui fica este gráfico da NASA. Ela “afirma que existem provas inequívocas de que a Terra está a aquecer a um ritmo excecional e que a atividade humana é a causa principal”. (science.nasa.gov/earth/explore/earth-indicators/). Se os glaciares derretem mais, o mar sobe mais. Se a temperatura do mar sobe, piores vão ser os fenómenos como o El Niño e outros.


6. Doenças anteriormente associadas sobretudo a climas tropicais ou subtropicais estão a crescer na Europa, algumas até em Portugal. Os dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde são claros: Dengue, Chikungunya, Febre do Nilo Ocidental, Leishmaniose, Zica (…) são trazidos por insetos que antes não conseguiam viver nestes climas, nomeadamente mosquitos. “Portugal, Espanha, Itália, França e Grécia são os países mais vulneráveis”. (who.int/europe)

7. O problema acresce, a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e a FAO são claras nos seus relatórios: “as terras inférteis no planeta estão a aumentar, e a tendência está a acelerar devido ao aquecimento global, à perda de água, à erosão, à desertificação e ao uso agrícola intensivo”. “40% das terras do planeta estão degradadas ou em processo de desertificação, 1/3 das terras agrícolas já perdeu fertilidade significativa, 24 bilhões de toneladas de solo fértil são perdidas todos os anos, 75% da superfície terrestre já sofreu algum nível de degradação”. Cerca de 120.000 hectares de terra ficam inférteis todos os anos. (unccd.int/resources/global). “Portugal tem 58% do território vulnerável e o Alentejo é a área mais crítica, 20% já em estado de degradação severa, 9% da costa em erosão crítica afetando também solos agrícolas”. Os dados públicos da Pordata, ICNF e da [dormente] APA são claros. (pordata.pt, icnf.pt, apambiente.pt)

Isto não é a história do Pedro e do lobo. São dados e factos!

Dados e factos não são crenças de que sempre houve verões quentes, doenças tropicais, inundações… Não, os dados e factos demonstram as consequências de se manterem os predomínios dos combustíveis fósseis, sistemas produtivos altamente poluentes, transportes públicos deficientes e caros…

O caso é mais sério ainda!

Vivencia-se uma onda de negacionismo dos factos e dados científicos, um extremismo que ganha força eleitoral em todo o mundo, na senda de Donald Trump.  Neste tempo de incerteza, guerra, conflito, ódio, esperava-se uma Europa pacificadora, sensata, lucida, referência de inovação tecnológica, proteção ambiental, qualidade de vida e combate sério e efetivo às alterações climáticas. Nada disso.

O Finantial Times trouxe-me a má novidade. A UE dará à indústria mais tempo para poluir e mais fundos aos grandes poluidores [tradução minha]. (ft.com/)

A pesquisa levou-me a dois artigos no semanário digital vientosur.info/. Tentando resumir: As licenças de emissões de carbono, “atualmente avaliadas entre 35 e 40 bilhões de euros anualmente, expirariam em 2034. Elas serão prorrogadas até 2038 para empresas que se comprometam a investir na Europa. Nesse caso, elas poderão compensar até 80% de suas emissões sem gastar um único euro”. A Comissão pretende que pelo menos metade dos 24 mil milhões de euros que as empresas pagam aos Estados pelas licenças, seja agora “atribuído às empresas para financiar a descarbonização (em comparação com os atuais 5%). Por outras palavras, o dinheiro que atualmente beneficia a comunidade será desviado para beneficiar os poluidores que, conscientemente, prejudicam o clima, em detrimento da sociedade”.

O Plano Verde da Europa está a “ir pelo cano”. L'accord de Paris est en train de brûler!

E quando a Europa devia investir numa forte força de proteção civil europeia, investe em armamento!

Vítor Franco

Também publicado no jornal Mais Ribatejo

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Ecovia do Vouga

Ecovia do Vouga, 111,2 km, Aveiro - Viseu, esteve só 35°, bebi 8 litros de água, 4 gels, 4 barritas, 3 eletrólitos em pó, 8 pastilhas de isostar, e dois banhos debaixo das fontes, 2 "duches em torneiras públicas.
O percurso terá talvez uns 30km de estrada, talvez outros 30 de ciclovia pavimentada e o restante em gravilha. Percurso bem sinalizado, mas sugiro que levem sempre o gpx. De comboio de Santarém para Aveiro.
Aqui vão as fotos mais interessantes para vos aguçar o apetite.
Vítor Franco









quarta-feira, 27 de maio de 2026

Ciclovia do Dão e rota do Mondego


Viseu - Coimbra, ciclovia do Dão e rota do Mondego. Mais 115km; fónix, todas as barritas ficaram líquidas, tanto calor, valeu que ainda tinha 3 gels e sais em pó.. A safa foi a ciclovia do Dão ter muita sombra e ser tendencialmente a descer.

Ainda gostava de saber, qual é o gozo de destruir património?!

Aviso à malta que queira ir fazer: há vários cortes, da ciclovia, a EN2 - com o IP3 ficou uma confusão, trilhos intransitáveis que tentei seguir... Se quiserem descarreguem os tracks do meu Strava. É um tanto "frustrante" saber que estás perto do objetivo e não saber como ir para lá...
Estes dois dias foram bons Desafios Positivos D+ , chegado ao fim senti-me realizado, vivo, na luta!
Mais umas fotos para entusiasmar o pessoal. Os vales do rio Mondego são muito interessantes, pena não ter tempo. De lamentar o vandalismo, grafites, no património histórico e cultural, como é exemplo nesta carruagem do Dão.
De volta no comboio com o célebre passe ferroviário verde
Vítor Franco

Os túneis foram maravilhosos locais de descanso mais fresco!

Vale do Mondego



quarta-feira, 13 de maio de 2026

Rota Azul da Ria de Aveiro: 135 km de bicicleta, maravilha entre a natureza e o mar.





A Ria de Aveiro oferece-se ao viajante de forma particularmente generosa quando percorrida de bicicleta. Nesta crónica em vídeo, partilho uma proposta simples: descobrir a chamada “Rota Azul”, um percurso com cerca de 130 a 135 quilómetros, essencialmente plano, que permite uma experiência prolongada de contacto com a natureza, longe do tráfego e do ruído.

O ponto de partida é Aveiro, com uma vantagem prática que importa sublinhar: a possibilidade de viajar de comboio com bicicleta, desde que se assegure a respetiva reserva. A partir daí, a sugestão é seguir pelo interior da ria, em direção a Estarreja, privilegiando caminhos tranquilos e paisagens abertas.

Logo no início, encontram-se os passadiços de Aveiro, preparados para a circulação de bicicletas — uma solução rara e particularmente bem conseguida. O percurso alterna depois entre troços em terra batida e caminhos compactados, atravessando zonas de pinhal e eucaliptal, onde o silêncio e os aromas da vegetação se impõem como parte integrante da viagem. Ao longo do trajeto, a presença de aves, nomeadamente cegonhas, reforça a sensação de proximidade com o ecossistema da ria.

A proposta que deixo é fazer este percurso em dois dias. A primeira etapa pode terminar no Furadouro, junto ao mar, onde se encontram boas opções para repouso e para uma refeição centrada no peixe local. A segunda etapa segue para sul, tirando partido dos ventos dominantes de norte, o que, em regra, facilita a progressão.


Ao longo do percurso, há ainda espaço para algo que considero essencial: o contacto com as pessoas. A conversa com pescadores e habitantes locais acrescenta uma dimensão humana que nenhuma paisagem, por mais bonita que seja, consegue substituir.
Naturalmente, as condições do terreno podem variar. Em períodos de chuva intensa, alguns troços tornam-se mais difíceis, com lama ou cortes pontuais. Ainda assim, trata-se de um percurso com enorme potencial, que conjuga acessibilidade, diversidade paisagística e autenticidade.
Esta não é apenas uma sugestão de rota. É, acima de tudo, uma forma de estar: pedalar devagar, observar, escutar e deixar que o território se revele sem pressa.

Gpx aqui:https://granderota.riadeaveiro.pt/grande.../percurso-azul/
GRANDEROTA.RIADEAVEIRO.PT
Percurso Azul da Grande Rota da Ria de Aveiro - Ria de Aveiro

Vídeo do jornal digital Mais Ribatejo, clique aqui: https://youtu.be/eaxNBNrA2bg?si=nYBNcoFYLqtGh8Xh
Vítor Franco

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Comboios com problemas bons


A criação do passe ferroviário verde foi uma ótima medida de fomento do serviço público ferroviário.

Este passe ferroviário fez encher os comboios, diminuiu a necessidade do automóvel – espero que tenha contribuído para a diminuição de acidentes -, diminuiu a poluição rodoviária e atraiu para os comboios pessoas que normalmente não o usam nas suas viagens mais ocasionais.

A boa medida “criou” problemas bons. Ficou mais evidente a falta de comboios para as necessidades já antes verificadas, locomotivas e carruagens, a falta de mais comboios em horários mais alargados e uma cobertura mais alargada e coerente do país.

A limitação da compra só nas 24 horas antes do horário do comboio criou uma corrida em que os bilhetes desaparecem num ápice, ao que pessoas algumas pessoas contornaram comprando bilhete para uma estação anterior à sua. A primeira solução criou a instabilidade de se conseguir ou não bilhete – os lugares esgotados tornaram-se uma normalidade -, a segunda agravou ainda mais o esgotamento porque passou a haver lugares vazios de pessoas que só vão entrar em estações à frente.

Tais factos estão identificados, esperam-se medidas corretivas.

O jornal Público de hoje traz uma boa matéria sobre esta situação. A dada altura, escreve o jornalista Carlos Cipriano: “A CP continua com cerca de 20% da sua frota de carruagens do Intercidades encostada nas oficinas à espera de manutenção e de reparação. Faltam peças, que a empresa não pode comprar sem autorização da tutela financeira, e faltam operários, que não consegue recrutar ou manter, porque não está autorizada a subir os salários”. É aqui que entra o garrote do orçamento.

Uma boa medida é estrangulada se não se libertarem os meios financeiros para a concretizar e se não se romper com o dogma de que os salários em Portugal têm que ser dos mais baixos da Europa.

Conhecemos as consequências do desinvestimento nos variados serviços públicos, na saúde, na educação, na limpeza urbana… Conhecemos as consequências da demissão do Estado da construção de habitação pública a preços controlados porque se submete ao dogma de que o mercado resolve. Está à vista!

Um pouco em sentido inverso, tem ocorrido um conjunto de melhorias na política de transportes públicos em particular nos passes, por exemplo a gratuitidade para jovens, maior apoio social e novos passes nacionais ferroviários. O passe jovem abrange todos os estudantes até 23 anos, Passe Social + já existia foi alargado abrangendo agora 2,5 vezes mais pessoas, etc, [mais dados aqui].

Estão criados problemas bons, criados por melhorias; agora é preciso que o governo seja consequente com as boas medidas e deixe de lado os seus dogmas de mercado. A ver vamos!

Vítor Franco
(Também publicado no jornal online Mais Ribatejo)
Ouça aqui a crónica sonora:

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

O rapaz do hospital


O rapaz tinha cursado eletricidade, acabado o antigo curso complementar dedicou-se a calejar as mãos que os escudos faziam falta e o desejo de autonomia ardia no peito.

Depois de um “estágio” de servente de pedreiro ingressou como eletricista na construção do Hospital de Santarém. Quando ele fala desse tempo fá-lo com gosto. Lembra-se do grande refeitório, da grande fogueira onde se assava carne, da relação muito solidária com os colegas, de quando organizou um protesto porque a direção de obra não deixou entrar bicicletas e motorizadas, dos plenários e das greves, de uma bonita filha do encarregado que trabalhava na secretaria, de quando separou uma briga de colegas… Coisas de rapazes com “sangue na guelra” em tempos de entusiasmo popular.

O rapaz seguiu outros trabalhos, mas as obras do hospital continuaram. O Hospital Distrital de Santarém foi inaugurado em 15 de novembro de 1985. Foi um salto positivo e enorme na construção do Serviço Nacional de Saúde e dos cuidados à população.

Como em alguns filmes, a narrativa dá um salto. O Hospital já fez 40 anos! É a partir daqui que a narrativa se transfigura olhando para o estado a que este chegou

Agora o hospital está muito mais moderno e até tem página de internet, com isso ganhamos transparência. É nela que podemos ver, por exemplo, os desmesurados tempos de espera para as consultas de duas especialidades, cujo atendimento prima pela fragilidade.
Ginecologia         nº utentes  dias de espera   Obstetrícia          nº utentes dias de espera
Muito prioritário       19             31                Muito prioritário      50           18
Prioritário               132            57                 Prioritário             106            37
Normal                   214          533                 Normal                  42            44

Tais factos deveriam incentivar a comunidade a indignar-se. Nem com cerca de 50 crianças a nascerem em ambulâncias ou episódios sucessivos de aflição de mulheres grávidas?!

Em dezembro de 2022 o governo criou o chamado “Programa nascer em segurança no SNS”. Este programa foi anunciado depois de meses e meses de problemas com encerramentos de urgências. Os problemas continuaram, deixou-se de falar no programa – salvo quando vemos reportagens nas TVs, por vezes com desfecho dramático.

Mudou o governo, a situação parece estar ainda pior. Nos passados dias de 31 de dezembro e 1 de janeiro os hospitais de Santarém, Abrantes e Vila Franca de Xira tiveram as urgências de obstetrícia, ginecologia e pediatria encerrados. Toda esta faixa central do país ficou sem assistência. É deveras tristemente espantoso!

Ainda no que ao nosso hospital diz respeito, já em 3 de março de 2023 as notícias indicavam que só tínhamos 8 em 20 anestesistas necessários, 19 em 40 médicos de medicina interna necessários, 5 em 14 ortopedistas necessários…

Por falar em notícias, no dia 5 de junho de 2025 a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, ASAE, fechou a cozinha do hospital por irregularidades que se arrastavam desde 2020, tendo só reaberto depois de finalizadas as correções das irregularidades.

Toda esta degradação do Serviço Nacional de Saúde que atravessou vários governos foi propositada [acusação forte?] – ou parece. Esta degradação do SNS obrigou milhões de portugueses a recorrer a seguros privados passando a pagar duas vezes mais [no seu desconto salarial + apólice de seguro] pelos cuidados de saúde que a Constituição da República diz deverem ser tendencialmente gratuitos.

Afinal, tudo isto, veio abrir espaço de negócio para Santarém já ter dois hospitais privados, cujas empresas lucrarão com as nossas necessidades de cuidados de saúde. O novo hospital privado atrairá ainda mais pessoal de saúde para os seus quadros pagando mais e dando melhores condições. O SNS ficará ainda mais fragilizado!

Afinal, com tudo isto, parece que normalizámos o que não é normal, parece que nos anestesiámos… !

Afinal, tudo isto, nem era para falar do rapaz do hospital que mandava fulminantes para a fogueira dos assados ou da tentativa de boicote dos trabalhadores à festa do “pau de fileira”…

Vítor Franco

(Também publicado no jornal online Mais Ribatejo)
Ouça a crónica sonora aqui:

 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Um mundo infestado de demónios

Ilustração digital. Mais Ribatejo/IA

Este é o título de um dos magníficos livros de Carl Sagan. Na contracapa o texto começa com a pergunta: “Estaremos no limiar de uma nova era de obscurantismo e superstição?”

Os livros, por vezes, “caiem-me” nas mãos. O caso é que “Um mundo infestado de demónios”(1) chamou-me lá do meio da estante, lá onde Sagan “toma café” com Hubert Reeves, Stephen Hawking e outros, que fizeram da incitação ao conhecimento um contributo determinante para um futuro positivo da humanidade.

Carl Sagan veio “atrapalhar” as minhas leituras de “O enigma de Israel”, de Henrique Cymerman e “A vegetariana” de Han Kang. O livro foi publicado pela primeira vez em 1995 e em Portugal em setembro de 1997 numa edição Gradiva. Mas é fabuloso, basta olhá-lo que a nossa mente vai perguntar: o que trará sobre os tempos que correm?

Terei lido este livro há uns 23 ou 24 anos [nem sei], preciso de voltar a embrenhar-me nele, acompanhado da minha caneta de cores. Preciso de voltar a sublinhar, a comentar, aos meus pontos de exclamação e interrogação, a escrever perguntas interpelando o livro como se fosse um diálogo vivo. Recorro às minhas notas e sublinhados de então, partilho algumas convosco.

Nós seres humanos, temos uma triste tendência para cometer os mesmos erros repetidas vezes. Temos medo dos desconhecidos ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de nós. Quando ficamos assustados começamos a ser agressivos para as pessoas que nos rodeiam.” [pág.422]

Esta frase faz-vos pensar em algo? Estais de acordo que temos medo dos desconhecidos ou das pessoas diferentes? Encontrais aqui algo em que o racismo se possa apoiar hoje para manipular as mentes humanas?

E por falar em manipulação, dou, de novo, a palavra a Sagan…

Podemos ser manipulados até extremos de insensatez por políticos espertos. Dêem-nos o tipo de chefe certo e, tal como o mais sugestionável paciente do terapeuta pela hipnose, faremos de bom grado quase tudo o que ele quer – mesmo coisas que sabemos erradas”. [pág. 423]

Sagan, e sua esposa, Ann Druyan, que colaborou na escrita do livro, relacionam esta problemática com a democracia e as suas ferramentas de defesa. Aliás, um problema que atravessa a Europa e Portugal em particular. Como é que a democracia se defende de quem a usa para a destruir? Como é que a democracia suscita a participação cívica para que não seja repressiva e até onde vai essa tolerância? Questões bem evidentes nos recentes episódios de ódio que são públicos.

O livro coloca um exemplo:

“Randall Terry, fundador [chefe] da Operação Resgaste, uma organização contra as clínicas de aborto disse numa reunião em 1993: Que uma onda de intolerância se abata sobre vós… Sim, odiar é bom… O nosso objetivo é uma nação cristã… Fomos chamados por Deus para conquistar este país… Não queremos pluralismo”.

É interessante verificar como estas afirmações, com mais de 30 anos, bem longe deste pequeno país “à beira-mar plantado”, são repetidas por um político que afirma ter uma missão perante Deus, uma ação cristã… Estas narrativas são comuns em vários países do mundo nos personagens que corporizam os discursos de ódio, liberalização e livre posse das armas, confronto contra os direitos das mulheres, dos imigrantes, etc.

Sagan e Ann Druyan trazem ao livro uma interessante abordagem de Thomas Jefferson, que foi o 3.º presidente dos Estados Unidos (1801–1809) e principal autor da Declaração de Independência. Apesar de ser uma figura polémica [por exemplo: defendia as liberdades, mas terá tido centenas de escravos], Thomas Jefferson é chamado ao diálogo com algumas das suas intervenções. Deixo-vos com a sua afirmação de que era “essencial que as pessoas se educassem a si mesmas e se envolvessem no processo político. Sem isso, dizia ele, os lobos vencerão”. Jefferson usava por vezes a classificação de lobos e cordeiros para diferenciar poderosos e fracos, dominantes e dominados.

Neste mundo infestado de demónios, queremos que os lobos vençam?

Vítor Franco

P.S. Sagan dedicou este livro ao seu neto Tonio, “Desejo-te um mundo sem demónios e pleno de luz”.“Um mundo infestado de demónios”, Carl Sagan, Gradiva, setembro de 1997.

Artigo também publicado no Jornal Mais Ribatejo aqui.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Tu pertences a ti / Não és de ninguém…

Convento das Capuchas em Santarém
“Quando alguém nasce
Nasce selvagem
Não é de ninguém
De ninguém”…

Esta quadra da canção “Nasce Selvagem”, do saudoso grupo Resistência, pode trazer-nos nostálgicas recordações. Pode, trago-a a esta partilha para acompanhar a lembrança de tantas crianças que nascem sem ninguém.
(Ouça aqui o podcast:)

É um lugar comum que nestas quadras festivas se recorde, ou presentei, quem não nasceu em berço de carinho ou posses. É…! Quiçá, assim se descarregam consciências pesadas de um ano desprovido de sensibilidade e humanidade.

Talvez também eu tenha caído em tal falta, quando só agora tenha decidido escrever sobre a roda do Convento das Capuchas.

Este Convento, ali na entrada do Bairro do Pereiro, lugar do meu crescimento, lugar de passagens apressadas sem perguntar: o que estará para além daquela porta? Não fazer perguntas é das coisas mais nefastas a que podemos entregar a mente. Foi preciso passarem décadas para que a indagação tenha exigido tocar à campainha. Quis saber da história da roda e do Convento.

Ali, pelos tempos idos do século XVIII, se construiu uma roda para entrega dos nascidos sem sorte de amor ou enchimento de colher. Nascidos de amores escondidos, de pobres sem eira nem beira, de trabalhadores quase escravos, das e dos que já então dividiam uma sardinha por três para uma fatia de pão de milho como os e as nossas avós. Ali se fazia a entrega anónima de quem nascia para viver “selvagem”.

Luiza Andaluz criou ali, em 1925, um novo lugar de acolhimento solidário, a que deu o nome de “Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes”. E, aos inocentes – pois que de nada são culpados – Luiza poderá ter dito “E para ti serás alguém / Nesta viagem”.

Aquele bairro, o do Pereiro, que em tempos terá sido lugar de acampamento romano, tem um lugar de paz e construção. No lugar onde cresci, ali ao pé da antiga “escola das meninas”, ali perto de onde “subtraía” nêsperas deliciosas do quintal de um vizinho, está um lugar de acolhimento mesmo que ele passe despercebido à comunidade.

Hoje continuam a nascer inocentes, crianças “sem ninguém”, vítimas de uma pobreza cultural e económica que persiste neste modelo de sociedade realmente existente. Continuam a nascer “selvagens” que não são de ninguém, a não ser da “má sorte”, apesar da boa nova de abril. Abril sussurra-nos por socorro, que o passado está a destruir o futuro, que o ódio se fez presente e expulsou a tolerância, o respeito e a solidariedade. Abril grita – mas poucos o ouvem -, na alienação que tolhe pensamentos e turva a visão! Nesta alienação, parida do ódio do “estado novo”, há palavras e actos exauridos: diálogo, sinceridade, luta, esperança…

Ali, no Bairro do Pereiro, há lugares com esperança para todos – para que todos sejamos alguém, nesta viagem!

Vítor Franco
P.S. O convento é propriedade da Fundação Luiza Andaluz.
Artigo também publico no jornal Mais Ribatejo aqui

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Do atentado terrorista na Austrália para o mundo, ódio alimenta ódio

Um salva-vidas coloca flores num memorial improvisado na praia de Bondi, em Sydney, Austrália, em 16 de dezembro de 2025. A Austrália está de luto após um ataque às celebrações do festival de Hanukkah da comunidade judaica, em 14 de dezembro, que deixou pelo menos 16 mortos, incluindo um atirador. EPA/MICK TSIKAS AUSTRÁLIA E NOVA ZELÂNDIA

Começo por enviar os meus pêsames às comunidades judaicas e repudiar este horroroso ataque terrorista antissemita.

Este ano estive numa abertura do Hanukkah em Lisboa, tal como estive no Rosh Hashaná que celebra o ano novo judaico – com todo o gosto. Também já estive na sinagoga em cerimónia para a qual fui convidado.
Também, com todo o gosto, fui padrinho de casamento [o nikah] de um jovem muçulmano, ofereci o fato ao noivo, participei com alegria na festa [a walima] e na comidinha boa que juntou comunidade e amigos. Foi com pesar que estive no funeral do pai do meu afilhado, assisti à cerimónia [Salat al-Janazah] na mesquita de Lisboa e acompanhei-o no enterro.
 
Estes parágrafos iniciais identificam uma forma de estar ecuménica que valorizo positivamente e também está sendo atacada. O fanatismo religioso está a ser usado e está a caminhar a par do crescimento dos ódios e dos extremismos. Em pleno século XXI há dirigentes e governantes políticos que afirmam falar com Deus, ser possuidores de tarefas por Ele mandatadas, negacionistas da evolução das espécies e da natureza humana e que pretendem impedir a ciência proibindo ou condicionando livros e currículos escolares, afirmando que a terra é plana. Tais fanatismos, não vem só dos países islâmicos, atingem até os EUA, nomeadamente a proibição [dita descontinuação] em alguns Estados de conteúdos sobre sexualidade, identidade de género, racismo, história afro-americana… (1)
 
O ódio e o racismo são hoje armas de manipulação das mentalidades de centenas de milhões de habitantes deste planeta finito, onde se negam alterações climáticas e até vacinas, mas que ganham eleições. Poder-se-á dizer que a manipulação das massas via redes sociais e mentiras faz lembrar a idade média? Talvez… Não sei responder, mas sem redes sociais, fez-se a matança de judeus de Lisboa, a “matança da Páscoa de 1506, em que uma multidão perseguiu e matou milhares de judeus acusados de serem a causa de uma seca, fome e peste que assolavam o país”.
 
Em nome de uma religião, odiam-se “infiéis”, criam-se fantasmas como a teoria da substituição e da colonização da Europa pelos imigrantes islâmicos – esquecendo os crimes da escravatura, do colonialismo ou a opressão dos povos africanos. Pretende-se proibir igrejas “alheias” quando, em nome da fé, se fizeram matanças em todo o planeta e se implantou uma igreja colonial. E nem é preciso recorrer às Américas ou a África – veja-se o que fizeram as tropas católicas romanas na extinção do povo cátaro no sul de França.
O facto de eu não acreditar na existência de um Deus [sou ateu] não significa que não respeite quem acredita e [acho eu] credita-me de um olhar mais aberto – também responsável - para olhar o crescimento do ódio e do racismo no mundo.

É preciso ver a vida como ela é!

A vida humana é diversa, multicolor e multicultural. Mas todas as pessoas são feitas exatamente da mesma carne, dos mesmos ossos, do mesmo sangue. O ser humano, enquanto ser, só tem garantia de sobrevivência no respeito da diversidade pois é esta que faz a sua Unidade enquanto espécie!

- Que diriam vocês se a cerimónia de Hanukkah ou a sinagoga, onde estive, fosse atacada por fanáticos de ódio e religião e me matassem? 
- Que diriam vocês se a cerimónia fúnebre do pai do meu afilhado, na mesquita, fosse atacada por fanáticos de ódio e religião e me matassem?
 
Depois do 25 de abril o “internacionalismo proletário” era muitas vezes invocado, e bem, para negar as guerras injustas, a opressão de povos pela elite dominante de outros povos, a matança entre pessoas que nada decidem e só obedecem às chefias militares e políticas. São precisos diálogos ecuménicos e para a paz entre os povos, as esquerdas têm uma especial responsabilidade nisso.

TODOS OS POVOS TÊM DIREITO À SUA IDENTIDADE, AUTODETERMINAÇÃO E DEMOCRACIA.
 
Talvez hoje se possa invocar e globalizar o internacionalismo solidário e democrático. A tarefa parece ciclópica, mas é um problema candente que exige solução!

(Artigo e podcast em Mais Ribatejo)
Vítor Franco
(1) Fontes: UOL, Veja, GnewsUSA, Aventuras na História, Revista Fórum

OS INADIMPLENTES E A INADIMPLÊNCIA

Minha mãe e meu pai tinham livros de registo de dívidas nas suas mercearias. Era normal haver clientes a comprar fiado, pois muitas vezes re...