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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Do atentado terrorista na Austrália para o mundo, ódio alimenta ódio

Um salva-vidas coloca flores num memorial improvisado na praia de Bondi, em Sydney, Austrália, em 16 de dezembro de 2025. A Austrália está de luto após um ataque às celebrações do festival de Hanukkah da comunidade judaica, em 14 de dezembro, que deixou pelo menos 16 mortos, incluindo um atirador. EPA/MICK TSIKAS AUSTRÁLIA E NOVA ZELÂNDIA

Começo por enviar os meus pêsames às comunidades judaicas e repudiar este horroroso ataque terrorista antissemita.

Este ano estive numa abertura do Hanukkah em Lisboa, tal como estive no Rosh Hashaná que celebra o ano novo judaico – com todo o gosto. Também já estive na sinagoga em cerimónia para a qual fui convidado.
Também, com todo o gosto, fui padrinho de casamento [o nikah] de um jovem muçulmano, ofereci o fato ao noivo, participei com alegria na festa [a walima] e na comidinha boa que juntou comunidade e amigos. Foi com pesar que estive no funeral do pai do meu afilhado, assisti à cerimónia [Salat al-Janazah] na mesquita de Lisboa e acompanhei-o no enterro.
 
Estes parágrafos iniciais identificam uma forma de estar ecuménica que valorizo positivamente e também está sendo atacada. O fanatismo religioso está a ser usado e está a caminhar a par do crescimento dos ódios e dos extremismos. Em pleno século XXI há dirigentes e governantes políticos que afirmam falar com Deus, ser possuidores de tarefas por Ele mandatadas, negacionistas da evolução das espécies e da natureza humana e que pretendem impedir a ciência proibindo ou condicionando livros e currículos escolares, afirmando que a terra é plana. Tais fanatismos, não vem só dos países islâmicos, atingem até os EUA, nomeadamente a proibição [dita descontinuação] em alguns Estados de conteúdos sobre sexualidade, identidade de género, racismo, história afro-americana… (1)
 
O ódio e o racismo são hoje armas de manipulação das mentalidades de centenas de milhões de habitantes deste planeta finito, onde se negam alterações climáticas e até vacinas, mas que ganham eleições. Poder-se-á dizer que a manipulação das massas via redes sociais e mentiras faz lembrar a idade média? Talvez… Não sei responder, mas sem redes sociais, fez-se a matança de judeus de Lisboa, a “matança da Páscoa de 1506, em que uma multidão perseguiu e matou milhares de judeus acusados de serem a causa de uma seca, fome e peste que assolavam o país”.
 
Em nome de uma religião, odiam-se “infiéis”, criam-se fantasmas como a teoria da substituição e da colonização da Europa pelos imigrantes islâmicos – esquecendo os crimes da escravatura, do colonialismo ou a opressão dos povos africanos. Pretende-se proibir igrejas “alheias” quando, em nome da fé, se fizeram matanças em todo o planeta e se implantou uma igreja colonial. E nem é preciso recorrer às Américas ou a África – veja-se o que fizeram as tropas católicas romanas na extinção do povo cátaro no sul de França.
O facto de eu não acreditar na existência de um Deus [sou ateu] não significa que não respeite quem acredita e [acho eu] credita-me de um olhar mais aberto – também responsável - para olhar o crescimento do ódio e do racismo no mundo.

É preciso ver a vida como ela é!

A vida humana é diversa, multicolor e multicultural. Mas todas as pessoas são feitas exatamente da mesma carne, dos mesmos ossos, do mesmo sangue. O ser humano, enquanto ser, só tem garantia de sobrevivência no respeito da diversidade pois é esta que faz a sua Unidade enquanto espécie!

- Que diriam vocês se a cerimónia de Hanukkah ou a sinagoga, onde estive, fosse atacada por fanáticos de ódio e religião e me matassem? 
- Que diriam vocês se a cerimónia fúnebre do pai do meu afilhado, na mesquita, fosse atacada por fanáticos de ódio e religião e me matassem?
 
Depois do 25 de abril o “internacionalismo proletário” era muitas vezes invocado, e bem, para negar as guerras injustas, a opressão de povos pela elite dominante de outros povos, a matança entre pessoas que nada decidem e só obedecem às chefias militares e políticas. São precisos diálogos ecuménicos e para a paz entre os povos, as esquerdas têm uma especial responsabilidade nisso.

TODOS OS POVOS TÊM DIREITO À SUA IDENTIDADE, AUTODETERMINAÇÃO E DEMOCRACIA.
 
Talvez hoje se possa invocar e globalizar o internacionalismo solidário e democrático. A tarefa parece ciclópica, mas é um problema candente que exige solução!

(Artigo e podcast em Mais Ribatejo)
Vítor Franco
(1) Fontes: UOL, Veja, GnewsUSA, Aventuras na História, Revista Fórum

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