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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Tu pertences a ti / Não és de ninguém…

Convento das Capuchas em Santarém
“Quando alguém nasce
Nasce selvagem
Não é de ninguém
De ninguém”…

Esta quadra da canção “Nasce Selvagem”, do saudoso grupo Resistência, pode trazer-nos nostálgicas recordações. Pode, trago-a a esta partilha para acompanhar a lembrança de tantas crianças que nascem sem ninguém.
(Ouça aqui o podcast:)

É um lugar comum que nestas quadras festivas se recorde, ou presentei, quem não nasceu em berço de carinho ou posses. É…! Quiçá, assim se descarregam consciências pesadas de um ano desprovido de sensibilidade e humanidade.

Talvez também eu tenha caído em tal falta, quando só agora tenha decidido escrever sobre a roda do Convento das Capuchas.

Este Convento, ali na entrada do Bairro do Pereiro, lugar do meu crescimento, lugar de passagens apressadas sem perguntar: o que estará para além daquela porta? Não fazer perguntas é das coisas mais nefastas a que podemos entregar a mente. Foi preciso passarem décadas para que a indagação tenha exigido tocar à campainha. Quis saber da história da roda e do Convento.

Ali, pelos tempos idos do século XVIII, se construiu uma roda para entrega dos nascidos sem sorte de amor ou enchimento de colher. Nascidos de amores escondidos, de pobres sem eira nem beira, de trabalhadores quase escravos, das e dos que já então dividiam uma sardinha por três para uma fatia de pão de milho como os e as nossas avós. Ali se fazia a entrega anónima de quem nascia para viver “selvagem”.

Luiza Andaluz criou ali, em 1925, um novo lugar de acolhimento solidário, a que deu o nome de “Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes”. E, aos inocentes – pois que de nada são culpados – Luiza poderá ter dito “E para ti serás alguém / Nesta viagem”.

Aquele bairro, o do Pereiro, que em tempos terá sido lugar de acampamento romano, tem um lugar de paz e construção. No lugar onde cresci, ali ao pé da antiga “escola das meninas”, ali perto de onde “subtraía” nêsperas deliciosas do quintal de um vizinho, está um lugar de acolhimento mesmo que ele passe despercebido à comunidade.

Hoje continuam a nascer inocentes, crianças “sem ninguém”, vítimas de uma pobreza cultural e económica que persiste neste modelo de sociedade realmente existente. Continuam a nascer “selvagens” que não são de ninguém, a não ser da “má sorte”, apesar da boa nova de abril. Abril sussurra-nos por socorro, que o passado está a destruir o futuro, que o ódio se fez presente e expulsou a tolerância, o respeito e a solidariedade. Abril grita – mas poucos o ouvem -, na alienação que tolhe pensamentos e turva a visão! Nesta alienação, parida do ódio do “estado novo”, há palavras e actos exauridos: diálogo, sinceridade, luta, esperança…

Ali, no Bairro do Pereiro, há lugares com esperança para todos – para que todos sejamos alguém, nesta viagem!

Vítor Franco
P.S. O convento é propriedade da Fundação Luiza Andaluz.
Artigo também publico no jornal Mais Ribatejo aqui

sexta-feira, 12 de março de 2021

Santarém está muito atrasada. Temos uma vitória a conquistar!

Só um país atrasado entende que as mulheres não devem usar bicicleta porque se excitam, as estradas são para os carros, as ruas só para quem não tem mobilidade reduzida, ou as bicicletas são transporte de pobre!

As pessoas com deficiência também têm direito à mobilidade e ao desporto. As crianças também têm direito à mobilidade e à segurança.

Junto fotos tiradas em Santarém, foto de estacionamento de bicicletas junto a estação ferroviária na Áustria [quando fiz o rio Danúbio] e uma revista sobre ciclismo adaptado, de leitura e download livre e gratuito que podes fazer clicando aqui.

Realmente, Santarém está muito atrasada. Temos uma vitória a conquistar!







Vítor Franco



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Viajar de bicicleta com crianças, na Rota dos Sete Lagos

A revista Bicicleta, publicada no Brasil, mas com acesso gratuito via issuu [clique aqui] celebrou o seu nº 100 com interessantes matérias. Destaque para um casal que resolver fazer a Rota dos Sete Lagos, dos Andes e desse destaque damos aqui relevo.

Interessante também a entrevista a três mulheres ciclistas e ainda as "Apertos que valem a pena" na costa do  Uruguai. Há também novidades sobre bicicletas elétricas.










Um mundo infestado de demónios

Ilustração digital. Mais Ribatejo/IA Este é o título de um dos magníficos livros de Carl Sagan . Na contracapa o texto começa com a pergunta...