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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Santarém - Lisboa ou Lisboa - Santarém em bike

É um percurso que sugiro vivamente. Voltei a ele, este dia "fresquinho" de 11 de agosto - pré eclipse.

Bonito azulejo da estação ferroviária de Santarém, manipulada para realçar só com a bike.

Desta vez foi para mostrar a um amigo a riqueza cultural e social da nossa terra. Foi também muito interessante para mostrar e contar aquilo que foi a minha juventude de trabalhos nas colheitas [neste momento foi mais o tomate e o pimento] em contraste com o que é hoje a mecanização da agricultura.

Foi um prazer visitar as aldeias avieiras e contar as suas histórias [clique aqui para artigo específico]. Apesar da degradação e uma certa perda de identidade das aldeias avieiras destaco a Palhota e elogio a preservação da casa onde viveu o escritor Alves Redol para escrever o seu livro dedicado a estas comunidades.

Os campos estavam, estão, muito secos, o que acaba por ser favorável à progressão. As bicicletas usadas foram as de gravel e btt. As visitas às Caneiras, Palhota e Porto da Palha acabam sempre por acrescentar uns kms àquilo que possa ser a voragem de pedalar. Mas, afinal, a pedalada é para se fazer sentindo e vivendo o espaço envolvente.


São ainda evidentes os prejuízos causados pelas cheias, nomeadamente em Valada. Todos e todas conhecem os benefícios das cheias, entre outras coisas é bom para "tratar" do invasor jacinto de água: levou uma varridela para as terras ou para o mar.

Boa surpresa foram também os flamingos já perto do Parque das Nações. Vila Franca de Xira marca ensinamento público com o seu passeio à beira rio, com o seu excelente museu do neorrealismo e por bons restaurantes onde comi umas belas enguias fritas.

A pedalada faz-se na direção que se quiser, se começares em Lisboa podes seguir as setas amarelas do Caminho de Santiago / Fátima. A volta pode fazer-se pelo comboio, de forma barata e confortável. O comboio tem ainda a vantagem de se poder "desistir" em qualquer lugar, que quase se tem sempre uma estação de comboio.

Se alguém precisar de gpx diga ;)

Vítor Franco



segunda-feira, 28 de abril de 2025

Santarém a Tomar pelo Caminho de Santiago


Aqui deixo uma nova proposta.
O caminho faz-se bem, é pouco técnico, tirando um pequeno trecho com água e cavado pelos tratores [choveu muito recentemente] a seguir a Vale de Figueira e o percurso de eucaliptal a seguir à Atalaia da Barquinha. 

Sugiro reabastecer de água na fonte pública que está na Moita do Norte, tomar gel ou barrita logo que se comece o eucaliptal. Vai puxar! Para quem tiver os pneus muito cheios talvez seja útil vazar um pouco para ganhar mais aderência pois nesta zona o estradão tem descidas inclinadas e a terra é muito escorregadia, com muitos seixos e seca.

Quase no fim desta parte o caminho divide-se, à esquerda para Fátima e à direita para Tomar / Santiago; tem duas placas pequenas que a vegetação pode tapar. Atenção.

Na aproximação a Tomar há duas rotundas que os pedestres fazem pela esquerda seguindo as setas e os ciclistas têm de contornar as rotundas e reapanhar o lado esquerdo do caminho. Depois o caminho toma a linha de água à direita, passa dois casais e divide-se em dois: pela esquerda pedestres e pela direita ciclistas.
Afinal ainda tive tempo de "vir ao casamento" e comer um belo polvo à lagareiro. 
Às 13:11 há comboio, regressei nele.
Eu não usei track pois faz-se bem pelas setas!

Vítor Franco




sábado, 29 de março de 2025

REGRESSO DA GALDÉRIA


A galdéria vai para casa. O problema é que fez uma birra, quis ir num saco almofadado. A menina é exigente, uff, não é fácil aturá-la... Bem vistas as coisas ela até merece, por isso lhe comprei um bolo típico - não quis -, ao que isto chegou!
Desde que lhe pus o chip de inteligência artificial que ficou mais esperta que eu. Ah pois, houve subidas grandes que me mandou descer e empurrá-la estrada ou encosta acima... Até me fez lembrar a história do velho e do burro, só faltava a minha neta!
A galdéria desta vez sofreu um bocadinho, [reconheço] queria ar condicionado que tinha frio, disse que era por causa de um tal Martinho [nunca ouvi falar nesse tipo, só o da água-pé], depois queria uma vela de barco que era para aproveitar a água da chuva e o vento, por fim, à chegada quis ficar em San Martín Pinario porque o Jorge Salgueiro lhe esteve a dizer que era ótimo.
Uff, ainda bem que vou para casa, vejam bem que esta menina parava em quase todos os peregrin@s e oferecia água e barritas. Uff... Aprendeu com a Paula Francisco, já sei... Até magnésio e protetor solar queria dar, uff, como se fizesse sol...
Um dia telefonou ao José Paulo , queria trocar de dono... É que a do Zé é irmã quase gémea e esta pensava que me enganava...
Havia dias que chamava o Luis Faria, que eu tinha era paixão era pela bici do Luís, uff, que ciumenta... Outro dia telefonou ao Nuno Tiago porque queria ir fazer tratamentos nas suas termas... Vá lá entender isto, passou por tantas termas e não quis ir a banhos porque já tinha o da chuva... Agora queria ir a tratamento do Nuno, bzzz...
"Não há condições" já dizia o Zé Maria, o grande vencedor do primeiro big brother, aliás, em quem o Montenegro se inspirou para querer uma moção de confiança aos negócios imobiliários da malta da casa....
Com isto tudo, aqui vou eu, com a barriga ainda maior, apesar de mais de 600km e de mais de 8 de altimetria, já sei, culpa do caldo galego... Acho que me vou dedicar à pesca, é mais pacífico!!! Ou não???
#caminhodesantiago #viadelaplata
Vítor Franco

sexta-feira, 28 de março de 2025

A MAGIA DA PRAÇA DO OBRADOIRO


Cheguei. Quando a vontade supera o frio, o vento e a chuva, vê-lhe sorrir o sol e a meta torna-se mais plausível!
Quando chego fico sempre um bom tempo sentado a "curtir" o ambiente. É uma sensação de realização, apesar de ser a sétima vez que aqui chego de bicicleta.
Não será a última!


Vítor Franco

quinta-feira, 27 de março de 2025

GALIZA CEIVE!


Hoje foi o ú ltimo dia de pedaladada maior, 72kms, mais um dia de sobe e desce, com o sol a reivindicar o ensejo de nos aquecer, obrigando-me a dupla proteção solar e uma perna de cada cor!
Mas, deixemo-nos de minudências. A rota, pelo que foi “passando de diapositivos” de abandono, parece indiciar perda de capacidade económica e concentração nas cidades. Pequenas fábricas são tomadas pela negritude do sem uso, vidros quebrados por incúrias e mau civismo, casas esventradas por arvoredos que teimam na reconquista.
Não são de estranhar que é na Galiza onde estão os salários e as pensões mais baixas. Também é na Galiza onde se come melhor e mais barato.
Hoje foi-me “imposto” um enorme prato de carne de vaca grelhada o que obrigou a pedir a ajuda ao negro líquido. O sabor estava magnífico e começo a ter a sensação que a barriga cresce em vem de diminuir. O que é grave!!!
Da alegre cavaqueira, em galego de improviso, saiu a obrigatoriedade oferecida de uma segunda sobremesa. Agradeci e desculpei-me com possíveis “retaliações” femininas .
O convívio ainda estava, afinal, por completar: faltava o digestivo final. A recusa “em duas rodas” durou até vir a oferta especial, cuja imagem fala melhor do que eu. Só vos digo, mas que boa pomada, e vegetariana…

Preciso de uma bike de 4 rodas.
Se passarem por cá, logo depois da subida a S. Domingo, 10, Dozón, não percam… 14€ o menu.
A nota final vai para o espigueiro, afinal, o norte de Portugal pouco se diferencia da Galiza - pelo menos nas soluções que a vida pobre fez construir.


O prometido é devido e daqui irá uma lembrança para quem explicar melhor a sua finalidade e, em particular, porquê os pilares têm por cima pedras exatamente lisas.
Amanhã conto chegar à Praça do Obradoiro, que, já agora, também ela dá mostra da supremacia castelhana sobre a Galiza. Serão outros contos…
E a Galiza está na luta...

#caminhodesantiago #viadelaplata
P. S. Hoje é o dia mundial do teatro e do dador de sangue. Obrigado a tod@s @s que mantêm viva a dádiva benévola de sangue e a tod@s @s qu mantêm viva a bela arte que é o teatro! Hoje lembro o meu amigo Chona!
Vítor Franco

quarta-feira, 26 de março de 2025

Crónica do día en galego



Estou en Ourense. Este foi outro día de altibaixos. Xa empezo a pensar nunha bicicleta eléctrica, é un auténtico escándalo. Atopei a xente de conservación subíndome ao chan só para castigarme. Se intentas asustarme, adapto un sistema de helicópteros e xa verás... En fin... Funcionou a WatsApp ao deus grego dos ventos, xa verás que ata os deuses gregos tremen cando fago caso... Pois eu fun quen tremeu un pouco cando a rapaza do restaurante me dixo que a súa irmá estaba en Tui para comezar o Camiño de Portugal! Tiña que haber un mapa... Uff
As augas termais de entre 64 e 68 °C nacen nas Burgas, que poden servir para tratar diversos tipos de enfermidades da pel. Mañá, como teño urmeas do goberno, vou alá para o tratamento. Aquí tedes algunhas imaxes do patrimonio deste fermoso centro histórico. Tamén hai imaxes de carteis, que mostran unha cidade animada e activa. A cidadanía é un activo que funciona como a miña bicicleta!





(O texto é uma tradução Google).
#caminhodesantiago #viadelaplata
Vítor Franco

terça-feira, 25 de março de 2025

PORQUE NÃO UM ALBERGUE PÚBLICO NA RIBEIRA OU NO EDIFÍCIO DA ESTAÇÃO DE COMBOIOS?



#vérin tem um albergue novo, que pode ser um exemplo para Santarém. O edifício foi recuperado, está bem conseguido e funcional, higienizado e atraente. A Galiza está de parabéns!O dia de hoje foi simples, subidas e descidas, bonitas paisagens...

Hoje comi o célebre caldo galego que é uma delícia no alimento e na nutrição. Pode ser com ou sem carne, mais abaixo deixo a receita.
 
O fim da rota aproxima-se, amanhã vou tentar passar de Ourense, vamos ver...
Junto também algumas fotos da cidade de Vérin.
#caminhodesantiago #viadelaplata
Um exemplo de receita:
**Ingredientes:**
- 300 g de feijão-branco (ou grão similar, previamente demolhado)
- 2 litros de água
- 300 g de carne salgada (por exemplo, costelas ou ossos de presunto)
- 300 g de batatas, descascadas e cortadas em pedaços
- 300 g de grelos ou couve-galega, lavados e picados
- 2 colheres de sopa de azeite
- Sal a gosto (com cuidado, pois a carne já é salgada)
**Modo de preparo:**
1. Em uma panela grande, cozinhe o feijão na água juntamente com a carne salgada. Deixe ferver em fogo baixo até que o feijão esteja quase macio. Isso pode levar cerca de 1 hora, dependendo da variedade do feijão.
2. Adicione as batatas à panela e cozinhe até que estejam quase desmanchando, o que ajuda a engrossar o caldo.
3. Junte os grelos ou a couve-galega e deixe cozinhar por mais 10 a 15 minutos, até ficarem macios.
4. Acrescente o azeite e ajuste o sal, se necessário.
5. Sirva quente e aproveite este prato que aquece tanto o corpo quanto a alma!
(Receita via Copilot)

Vítor Franco

segunda-feira, 24 de março de 2025

Via da Prata #11 O FRANCO ESTÁ FRAQUINHO!



Uff, só 59kms de Mombuey a Lubián, mas foi mais uma dureza e amanhã será outra. Subi a 1340m, mais de 5km com a bicicleta à mão até ao túnel [é o que arranja] e lá tive de ouvir os desaforos do vento... Este tipo é um chato incorrigível, é que é quase sempre o mesmo, um tal Bóreas, ainda me deu uns empurrões na descida da serra.
Eu estou mesmo chateado... Euro foi-se embora com o Martinho; Zéfiro aparece pouco e bem que podia diminuir o frio; Noto, coitado, nem lhe deixam levantar um arzinho, há dias veio cumprimentar-me mas o Bóreas correu com ele. Resta-me mandar um WhatsApp a Éolo, vou dizer-lhe das boas, afinal não manda nada o quê?!?!
As frases da minha próxima manif serão "a luta continua, quero o Noto na rua", "Noto, amigo, o Vítor está contigo". Eu não brinco em serviço!!!
A bike teve o privilégio de visitar a linda #puebladesanabria, não se calou em todo o dia a chiar [até pensei que era falta de óleo] queria subir a Puebla. Pronto, lá fui, valeu a pena, é um lugar lindo, lindo. Aqui ficam algumas fotos. Vale muito a pena. Além do mais, tem um supermercado cheio de coisas boas sem glúten .




Hoje fico em Lubián, é um lugar bonito que faz lembrar Piodão. Em frente está um vale e na montanha em frente a neve diz olá olá
Sabeis que passei a escassos 40kms de Bragança e esta serra pega com o nosso Parque Natural de Montesinho?
Vítor Franco

domingo, 23 de março de 2025

Via da Prata #10 QUANDO UMA SENHORA LINDA...



Foram 85kms. De Zamora a Mombuey. Estava eu parado, olhando as neves no horizonte, desta paisagem encantado quando ela parou o carro. Olhou-me, quiçá interrogou-se da minha presença e dela tomou cuidado(...) e eis:
- Olá, estás bem?
Olhei surpreso a sua face esguia, olhos penetrantes e indagantes...
- Estou bem, muito obrigado. Estou só a olhar a serra, está linda com a neve a refletir o sol...
- Sim, respondeu. A minha terra é linda. Cuida-te pelo Caminho.
Agradeci...
Bem...
Exagerei um "bocadinho" na narrativa, mas, de facto, a senhora pensou que eu precisava de apoio e perguntou. Esta nota serve para referenciar a simpatia das pessoas, por aqui.
Está manhã, quando parti, estava apenas um grau, 1°, bebi um café solo largo e segui. O dia esteve ótimo, tirando o frio... Foi bom para pedalar.
O desafio pós jornada foi inventar uma nova proteção para as sapatilhas de encaixe no pedal. A anterior não resistiu às agruras...
A capa "dos chineses" e a fita cinzenta conjugaram-se para uma solução anti-chuva, a ver vamos.


Amanhã há mais...
O pôr do sol promete...
Já sabem porque este caminho se chama a Via da Prata?
Vítor Franco

sábado, 22 de março de 2025

Via da Prata #9 COM O MARTINHO BEBE O VINHO!



Salamanca - Zamora, 65kms. Hoje a tempestade marcou presença, na parte da tarde. Frio, muito frio, vento frio, chuva constante e forte... O Franco ficou fraquinho, geladinho, mas aguentou-se... O ânimo tinha vindo aí pelas 11h, pouco depois de sair de Salamanca. Rolava eu descontraído quando vejo um grupo de ciclistas parado na outra faixa. Percebi que havia avaria e lá me dirigi para ajudar o que fosse preciso. Era apenas um furo. Conversa daqui, conversa dali, selfie da ordem... Ora, os "amigos de lá bici de Salamanca" disseram que eu não podia ir embora sem recovery... Vai daí puxam de um "fole" de vinho e mandam beber... Era tipo água pé, soube bem.
Sugestão para recoverys .
São destas coisas que animam os dias duros, surpresas que surgem a cada dia, talvez só possíveis andando de bicicleta.
"Pelo S. Martinho prova o teu vinho!"



Vítor Franco

OS INADIMPLENTES E A INADIMPLÊNCIA

Minha mãe e meu pai tinham livros de registo de dívidas nas suas mercearias. Era normal haver clientes a comprar fiado, pois muitas vezes re...