sábado, 10 de outubro de 2026
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Ao que chegou o absurdo!
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| Imagem Mais Ribatejo |
O senhor presidente da Confederação do Comércio Português, Gustavo Paulo Duarte, foi entrevistado pelo Jornal de Negócios e Antena Um, disse:
Absurdo 1: “O pior inimigo do salário médio é o decreto do salário mínimo“. Sendo obrigadas a aumentar o salário mínimo, as empresas “ficam sem margem para distribuir esse dinheiro pelos demais” (…) “quando se sobe o salário mínimo nacional está-se a comprimir todos os outros trabalhadores“.
Absurdo 2: “Por decreto, estamos a ajudar quem não merece”.
“Desadequado”: “Não é dizer às empresas que o salário mínimo nacional passa para X. É obrigar as empresas a não pagarem o salário mínimo nacional – este é que é o desafio“.
Vejamos:
Absurdo 1: O senhor também presidente do grupo de transportes Paulo Duarte [que tem “1300 trabalhadores, 130 milhões de euros de faturação, líderes no transporte rodoviário em segmentos-chave”] está consciente de que está a inverter [para não usar de um adjetivo feio] os dados económicos. Os salários médios dependem – em primeiro lugar – das entidades patronais, se não os aumentam é porque não querem. O empresário que, já este ano, vendeu 35% do seu grupo à gestora de investimentos britânica Intermediate Capital Group, ICG, por cerca de 200 milhões de euros deve “estar a gozar com quem trabalha” quando afirma que as empresas podem ficar sem margem para dar aumentos a outros trabalhadores.
Absurdo 2: Quando acrescenta “podemos estar a ajudar…” sabe que não está a ajudar nada – está a pagar um salário a quem já lhe vendeu a sua força de trabalho, o salário é um direito não é uma esmola de caridade. Quando acrescenta “… a quem não merece” está a faltar ao respeito e a ser ofensivo com os seus próprios trabalhadores. Aí está, a tática de voltar trabalhadores contra trabalhadores!
“Desadequado”. A frase onde se extrai esta frase, “… É obrigar as empresas a não pagarem o salário mínimo nacional” poderia ter sido dita de outra forma. Quer referir-se a que o governo quer obrigar as empresas a cometerem uma ilegalidade?” É uma pressão sobre o governo para voltar à revisão do Código de Trabalho? É que:
i) O salário mínimo é decidido pelo governo, publicado em Decreto-Lei. Não é decidido por qualquer acordo de concertação social – à luz da lei esta só tem funções consultivas do governo. Mais, tem princípio Constitucional; artigo 59.º, n.º 2, determina que incumbe ao Estado assegurar, entre outras coisas: “o estabelecimento e a atualização do salário mínimo nacional…”.
ii) O pagamento da retribuição mínima mensal garantida, salário mínimo, está garantido na Lei n.º 7/2009, a sua violação é uma contraordenação muito grave – artigo 273.º, do Código do Trabalho. Também tem princípio Constitucional no artigo 59.º, n.º1 a)., “A retribuição do trabalho (…) o princípio de que para trabalho igual salário igual, de forma a garantir uma existência condigna”.
Nestes tempos, conturbados, insiste-se em tratar o trabalhador apenas como um indivíduo só e isolado. Tal objetivo visa destruir ou minorar a contratação coletiva e o papel dos sindicatos que dão expressão de conjunto, sujeito coletivo, ao trabalhador! É por isso que vale a pena revisitar este poema de Vinicius de Moraes, dito por Mário Viegas, “Operário em Construção”.
domingo, 30 de agosto de 2026
O ódio do Chega aos bebés e crianças
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| Foto: Miguel Lopes/Lusa |
Quando… Quando pensamos que a barbárie extremista e o ódio já atingiram o limite, estamos enganados! Vejamos.
– Quando alguns se ajoelham nas igrejas e negam o conceito bíblico de que “De um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra” [Paulo em Atos 17:26], perguntem porquê?
– Quando, eles, na cegueira do ódio negam o conceito de que “Não há judeu nem grego… todos sois um em Cristo Jesus” [Gálatas 3:28]. Ou “Amarás o estrangeiro como a ti mesmo” [Levítico 19:33–34], escolhei um lado!
– Quando na vontade da barbárie até abordam os bebés e as crianças, recordai “Deixai vir a mim as criancinhas, não as impeçais, porque dos que são como elas é o Reino de Deus”, [Marcos 10:13-16], levantai-vos para defender tod@s!
(Ouça o artigo no podcast:)Prioridade para crianças portuguesas
O partido de Ventura, Pedro Frazão e Rita Matias [por ordem do pódio da aldrabice e que rasgou o mandamento bíblico “Não darás falso testemunho contra o teu próximo”] apresentou projetos-lei para que “seja dada prioridade no acesso a creches, apenas a crianças de agregados familiares de origem portuguesa” e “cujos progenitores sejam contribuintes do sistema de segurança social“. É ódio que cheira a fascismo, cheira a “racismo biológico”!
Os extremistas não se levantam, com a força de 60 deputados, para defender mais e melhores creches, proteção a todas as crianças, deixando vir todas as crianças ao direito à educação! Não.
Na linguagem racista, a prioridade é uma questão de nacionalidade – como se na criança houvesse uma culpa -, se é que fosse sua culpa não nascer em Portugal, ou mesmo que tenha nascido e não ter a nacionalidade portuguesa. Ou, por que razão um bebé filho de progenitor desempregado ser marginalizado da creche?!
O partido do ódio repete a política de Hitler sobre os judeus.
Foi começando uma limitação legal de acesso de judeus às escolas públicas, em abril de 1933, com a “Lei contra a Sobrelotação das Escolas” que o fascismo começou a discriminação das crianças judias.
Com a sobrecarga que vivemos nos serviços públicos pela política do governo, o problema irá aumentar. Será, pois, natural que os racistas venham depois defender o que Hitler impôs: máximo de 5% de alunos judeus nas escolas públicas, e fixava uma quota de 1,5% para novas admissões de estudantes classificados pelo regime como “não arianos”.
Seguindo a linha hitleriana “o Chega entregou também, esta quarta-feira, um projeto de lei no Parlamento para que as crianças com nacionalidade portuguesa ou filhos de cidadãos de estados-membros da União Europeia tenham prioridade no acesso a escolas públicas” jornal Expresso. Assim se começa a excluir! Em vez de melhorarmos as escolas, deixamos crianças sem aulas? Prioridade de aprender é para TODAS AS CRIANÇAS!
“A história repete‑se, primeiro como tragédia, depois como farsa.” Escreveu Karl Marx em “O 18 Brumário de Luís Bonaparte” (1852).
Parece que o povo precisa de abrir mais os olhos!
domingo, 16 de agosto de 2026
OS INADIMPLENTES E A INADIMPLÊNCIA
Trago este tema à escrita porque li hoje uma palavra que há muitos anos não saía do “baú”: inadimplência. Ela “veio à luz” numa newsletter do portal económico Quartz.
Quartz trouxe a notícia de que “A dívida dos americanos com cartões de crédito disparou para US$ 1,26 trilhão, aproximando-se de um recorde histórico…” intitula o artigo. Na escala portuguesa será um bilião, cento e nove mil milhões, novecentos e trinta e quatro milhões de euros € 1 109 934 000 000. [1 trillion = 1.000 billion = 1.000.000 milhões = 1 bilião em português europeu]. Ter em atenção que a dívida em cartão de crédito é apenas 7% das dívidas nos EUA [Reuters]. E (…) dos “175 milhões de americanos com cartões de crédito, cerca de 60% não pagam o saldo integralmente todos os meses”!!!
- Em Portugal o Serviço Nacional de Saúde português é tendencialmente gratuito!
Cerca de 9% da dívida castiga os mais jovens, “os empréstimos estudantis totalizam US$ 1,65 biliões”. É o direito ao conhecimento mercantilizado, é o futuro melhor dependente de um empréstimo, é a inversão do conceito de democracia. Logo em jovens, a dívida torna-se normalidade! Aprender é um direito da democracia, não é um negócio bancário!
- Em Portugal o Ensino Público obrigatório é gratuito e o superior é tendencialmente gratuito! É uma das conquistas de abril… Pois…
O império da dívida é a dependência eterna!
Quadro de dados do BCE, comparação EUA - Portugal:
1. Os dados e factos dos EUA mostram que mercantilização dos serviços públicos dificulta o acesso da população, aumenta a pobreza, a dívida e tende a criar dependência que dura para toda a vida. O quadro anexo mostra uma enorme diferença entre os EUA e Portugal na dívida per capita. Relevante, o país das oportunidades, o país dito como referência da democracia, a maior potência económica do mundo é o país da dívida!
2. O salário digno tem vindo a ser substituído por salário + dívida. O salário não acompanha as novas necessidades e a evolução humana; o salário digno é substituído por dívida - isso subordina as pessoas.
Na usurpação dos rendimentos, incluindo aos próprios Estados, este regime económico / político – o capitalismo realmente existente – não vive sem dívida. A dívida “eterna” garante juros, predomínio da financeirização da economia, mas também capacidade de investimento estatal e empresarial ou o consumo dos novos produtos que substituem os que ficam “caducos… Objetivamente, a dívida é a dependência e a subjugação aos ratings dos mercados da dívida controlados por uma micro minoria, é até, a subjugação da independência dos povos!
3. A habitação e a inadimplência estarão no centro de uma nova crise? Quiçá, caminhamos para uma nova crise, recordo que a habitação foi o epicentro da crise de 2008. O colapso da bolha imobiliária nos EUA desencadeou incumprimentos, falências bancárias e uma crise financeira global sem precedentes desde 1929. Em Portugal temos juros a subir, créditos bancários a subir, preços continuamente a subir “exponencialmente” [os preços das casas em Portugal subiram 16,5% só nos primeiros três meses de 2026]…
Em sentido inverso, a pressão é para salários baixos / tentativas governamentais de alterar as leis de trabalho para baixar ainda mais os salários, precariedade em crescimento e agora o anúncio de aumento 58% das insolvências, face a julho homólogo, em Portugal…
Portugal tem cerca de 88 mil casas à venda [site Doutor Finanças/observatorio-imobiliario-maio-2026] e o número real de casas vazias em Portugal é superior a 700 mil [portal idealista]. Como Portugal, e imensos países, comprovam é que só a intervenção decisiva do Estado na criação da habitação pública e na limitação da transferência de habitação permanente para Airbnbs é que conseguirá regular.
4. Concluo: i) este modelo económico substitui salários dignos por dívida, ii) direitos essenciais e públicos por mercantilização liberal da vida humana e, iii) um mercado que limita a democracia a uma formalidade em perda de conteúdo!
Há muito a pensar…
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Santarém - Lisboa ou Lisboa - Santarém em bike
É um percurso que sugiro vivamente. Voltei a ele, este dia "fresquinho" de 11 de agosto - pré eclipse.
| Bonito azulejo da estação ferroviária de Santarém, manipulada para realçar só com a bike. |
Desta vez foi para mostrar a um amigo a riqueza cultural e social da nossa terra. Foi também muito interessante para mostrar e contar aquilo que foi a minha juventude de trabalhos nas colheitas [neste momento foi mais o tomate e o pimento] em contraste com o que é hoje a mecanização da agricultura.
Foi um prazer visitar as aldeias avieiras e contar as suas histórias [clique aqui para artigo específico]. Apesar da degradação e uma certa perda de identidade das aldeias avieiras destaco a Palhota e elogio a preservação da casa onde viveu o escritor Alves Redol para escrever o seu livro dedicado a estas comunidades.
Os campos estavam, estão, muito secos, o que acaba por ser favorável à progressão. As bicicletas usadas foram as de gravel e btt. As visitas às Caneiras, Palhota e Porto da Palha acabam sempre por acrescentar uns kms àquilo que possa ser a voragem de pedalar. Mas, afinal, a pedalada é para se fazer sentindo e vivendo o espaço envolvente.
São ainda evidentes os prejuízos causados pelas cheias, nomeadamente em Valada. Todos e todas conhecem os benefícios das cheias, entre outras coisas é bom para "tratar" do invasor jacinto de água: levou uma varridela para as terras ou para o mar.
Boa surpresa foram também os flamingos já perto do Parque das Nações. Vila Franca de Xira marca ensinamento público com o seu passeio à beira rio, com o seu excelente museu do neorrealismo e por bons restaurantes onde comi umas belas enguias fritas.
A pedalada faz-se na direção que se quiser, se começares em Lisboa podes seguir as setas amarelas do Caminho de Santiago / Fátima. A volta pode fazer-se pelo comboio, de forma barata e confortável. O comboio tem ainda a vantagem de se poder "desistir" em qualquer lugar, que quase se tem sempre uma estação de comboio.
Se alguém precisar de gpx diga ;)
Vítor Franco
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Os incêndios e as tragédias que vão continuar a crescer!
1. A França sofre os maiores e mais graves incêndios de
sempre. Os números são dramáticos: mais de “42 000 hectares ardidos, só
no principal incêndio, centenas de casas destruídas, 250 000 pessoas evacuadas
no conjunto das áreas afetadas”. O fogo criou grandes colunas de fumo e
calor “capazes de produzir ventos, relâmpagos e novos focos — o chamado
fenómeno de tempestade de fogo ou pyrocumulonimbus”. (apnews. com)
2. A Espanha sofre também os maiores incêndios.
Espanha vive “uma das piores épocas de incêndios em décadas”, com muitos fogos
simultâneos. Tem mais de “75.000 pessoas evacuadas, 30.000 confinadas, uma
área ardida entre 130.000 e 168.000 hectares só desde janeiro, mais de 77.000
hectares ardidos e pelo menos 14 vítimas só este mês”. (france24.com)
3. Itália, Grécia e Portugal, parecem estar um pouco menos
castigados até agora. No entanto, em “2024 e 2025, Portugal, Grécia e Itália
sofreram épocas de incêndios extremamente severas, com áreas ardidas
muito acima da média histórica, impulsionadas por ondas de calor mais longas,
secas persistentes e temporadas de fogo cada vez mais extensas”.
(intellinews.com/europe)
4. A mortalidade teve recordes, neste mês de junho, devido
às canículas que crescem na duração e na intensidade. “Pelo menos 12.000
mortes em excesso durante a canícula de junho de 2026 em nove países europeus. A
maioria das vítimas (mais de 9.000) tinha 65 anos ou mais”. (Euronews.com)
5. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, “os
glaciares perderam, em média, cerca de 273 mil milhões de toneladas de gelo por
ano entre 2000 e 2023. Entre 2022 e 2024 ocorreu a maior perda de massa glaciar
acumulada em três anos desde o início dos registos”. (wmo.int/news/media-centre).
Todas as organizações científicas confirmam a subida da temperatura do
planeta. Se dúvidas ainda houvessem, aqui fica este gráfico da NASA. Ela “afirma
que existem provas inequívocas de que a Terra está a aquecer a um ritmo
excecional e que a atividade humana é a causa principal”. (science.nasa.gov/earth/explore/earth-indicators/).
Se os glaciares derretem mais, o mar sobe mais. Se a temperatura do mar sobe,
piores vão ser os fenómenos como o El Niño e outros.
6. Doenças anteriormente associadas sobretudo a climas tropicais ou subtropicais estão a crescer na Europa, algumas até em Portugal. Os dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde são claros: Dengue, Chikungunya, Febre do Nilo Ocidental, Leishmaniose, Zica (…) são trazidos por insetos que antes não conseguiam viver nestes climas, nomeadamente mosquitos. “Portugal, Espanha, Itália, França e Grécia são os países mais vulneráveis”. (who.int/europe)
7. O problema acresce, a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e a FAO são claras nos seus relatórios: “as terras inférteis no planeta estão a aumentar, e a tendência está a acelerar devido ao aquecimento global, à perda de água, à erosão, à desertificação e ao uso agrícola intensivo”. “40% das terras do planeta estão degradadas ou em processo de desertificação, 1/3 das terras agrícolas já perdeu fertilidade significativa, 24 bilhões de toneladas de solo fértil são perdidas todos os anos, 75% da superfície terrestre já sofreu algum nível de degradação”. Cerca de 120.000 hectares de terra ficam inférteis todos os anos. (unccd.int/resources/global). “Portugal tem 58% do território vulnerável e o Alentejo é a área mais crítica, 20% já em estado de degradação severa, 9% da costa em erosão crítica afetando também solos agrícolas”. Os dados públicos da Pordata, ICNF e da [dormente] APA são claros. (pordata.pt, icnf.pt, apambiente.pt)
Isto não é a história do Pedro e do lobo. São dados e
factos!
Dados e factos não são crenças de que sempre houve verões
quentes, doenças tropicais, inundações… Não, os dados e factos demonstram as
consequências de se manterem os predomínios dos combustíveis fósseis, sistemas
produtivos altamente poluentes, transportes públicos deficientes e caros…
O caso é mais sério ainda!
Vivencia-se uma onda de negacionismo dos factos e dados
científicos, um extremismo que ganha força eleitoral em todo o mundo, na senda
de Donald Trump. Neste tempo de
incerteza, guerra, conflito, ódio, esperava-se uma Europa pacificadora,
sensata, lucida, referência de inovação tecnológica, proteção ambiental,
qualidade de vida e combate sério e efetivo às alterações climáticas. Nada
disso.
O Finantial Times trouxe-me a má novidade. A UE dará à indústria
mais tempo para poluir e mais fundos aos grandes poluidores [tradução minha].
(ft.com/)
A pesquisa levou-me a dois artigos no semanário digital
vientosur.info/. Tentando resumir: As licenças de emissões de carbono, “atualmente
avaliadas entre 35 e 40 bilhões de euros anualmente, expirariam em 2034. Elas
serão prorrogadas até 2038 para empresas que se comprometam a investir na
Europa. Nesse caso, elas poderão compensar até 80% de suas emissões sem gastar
um único euro”. A Comissão pretende que pelo menos metade dos 24 mil
milhões de euros que as empresas pagam aos Estados pelas licenças, seja agora “atribuído
às empresas para financiar a descarbonização (em comparação com os atuais 5%).
Por outras palavras, o dinheiro que atualmente beneficia a comunidade será
desviado para beneficiar os poluidores que, conscientemente, prejudicam o
clima, em detrimento da sociedade”.
O Plano Verde da Europa está a “ir pelo cano”. L'accord de Paris est en train de brûler!
E quando a
Europa devia investir numa forte força de proteção civil europeia, investe em
armamento!
Vítor Franco
Também publicado no jornal Mais Ribatejo
sexta-feira, 26 de junho de 2026
Ecovia do Vouga
O percurso terá talvez uns 30km de estrada, talvez outros 30 de ciclovia pavimentada e o restante em gravilha. Percurso bem sinalizado, mas sugiro que levem sempre o gpx. De comboio de Santarém para Aveiro.
Aqui vão as fotos mais interessantes para vos aguçar o apetite.
quarta-feira, 27 de maio de 2026
Ciclovia do Dão e rota do Mondego
Estes dois dias foram bons Desafios Positivos D+ , chegado ao fim senti-me realizado, vivo, na luta!
Mais umas fotos para entusiasmar o pessoal. Os vales do rio Mondego são muito interessantes, pena não ter tempo. De lamentar o vandalismo, grafites, no património histórico e cultural, como é exemplo nesta carruagem do Dão.
De volta no comboio com o célebre passe ferroviário verde

quarta-feira, 13 de maio de 2026
Rota Azul da Ria de Aveiro: 135 km de bicicleta, maravilha entre a natureza e o mar.
A Ria de Aveiro oferece-se ao viajante de forma particularmente generosa quando percorrida de bicicleta. Nesta crónica em vídeo, partilho uma proposta simples: descobrir a chamada “Rota Azul”, um percurso com cerca de 130 a 135 quilómetros, essencialmente plano, que permite uma experiência prolongada de contacto com a natureza, longe do tráfego e do ruído.
Logo no início, encontram-se os passadiços de Aveiro, preparados para a circulação de bicicletas — uma solução rara e particularmente bem conseguida. O percurso alterna depois entre troços em terra batida e caminhos compactados, atravessando zonas de pinhal e eucaliptal, onde o silêncio e os aromas da vegetação se impõem como parte integrante da viagem. Ao longo do trajeto, a presença de aves, nomeadamente cegonhas, reforça a sensação de proximidade com o ecossistema da ria.
A proposta que deixo é fazer este percurso em dois dias. A primeira etapa pode terminar no Furadouro, junto ao mar, onde se encontram boas opções para repouso e para uma refeição centrada no peixe local. A segunda etapa segue para sul, tirando partido dos ventos dominantes de norte, o que, em regra, facilita a progressão.
Ao longo do percurso, há ainda espaço para algo que considero essencial: o contacto com as pessoas. A conversa com pescadores e habitantes locais acrescenta uma dimensão humana que nenhuma paisagem, por mais bonita que seja, consegue substituir.
Naturalmente, as condições do terreno podem variar. Em períodos de chuva intensa, alguns troços tornam-se mais difíceis, com lama ou cortes pontuais. Ainda assim, trata-se de um percurso com enorme potencial, que conjuga acessibilidade, diversidade paisagística e autenticidade.
Esta não é apenas uma sugestão de rota. É, acima de tudo, uma forma de estar: pedalar devagar, observar, escutar e deixar que o território se revele sem pressa.
Gpx aqui:https://granderota.riadeaveiro.pt/grande.../percurso-azul/
GRANDEROTA.RIADEAVEIRO.PT
Percurso Azul da Grande Rota da Ria de Aveiro - Ria de Aveiro
Vídeo do jornal digital Mais Ribatejo, clique aqui: https://youtu.be/eaxNBNrA2bg?si=nYBNcoFYLqtGh8Xh
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Comboios com problemas bons
A criação do passe ferroviário verde foi uma ótima medida de fomento do serviço público ferroviário.
Este passe ferroviário fez encher os comboios, diminuiu a necessidade do automóvel – espero que tenha contribuído para a diminuição de acidentes -, diminuiu a poluição rodoviária e atraiu para os comboios pessoas que normalmente não o usam nas suas viagens mais ocasionais.
A boa medida “criou” problemas bons. Ficou mais evidente a falta de comboios para as necessidades já antes verificadas, locomotivas e carruagens, a falta de mais comboios em horários mais alargados e uma cobertura mais alargada e coerente do país.
A limitação da compra só nas 24 horas antes do horário do comboio criou uma corrida em que os bilhetes desaparecem num ápice, ao que pessoas algumas pessoas contornaram comprando bilhete para uma estação anterior à sua. A primeira solução criou a instabilidade de se conseguir ou não bilhete – os lugares esgotados tornaram-se uma normalidade -, a segunda agravou ainda mais o esgotamento porque passou a haver lugares vazios de pessoas que só vão entrar em estações à frente.
Tais factos estão identificados, esperam-se medidas corretivas.
O jornal Público de hoje traz uma boa matéria sobre esta situação. A dada altura, escreve o jornalista Carlos Cipriano: “A CP continua com cerca de 20% da sua frota de carruagens do Intercidades encostada nas oficinas à espera de manutenção e de reparação. Faltam peças, que a empresa não pode comprar sem autorização da tutela financeira, e faltam operários, que não consegue recrutar ou manter, porque não está autorizada a subir os salários”. É aqui que entra o garrote do orçamento.
Uma boa medida é estrangulada se não se libertarem os meios financeiros para a concretizar e se não se romper com o dogma de que os salários em Portugal têm que ser dos mais baixos da Europa.
Conhecemos as consequências do desinvestimento nos variados serviços públicos, na saúde, na educação, na limpeza urbana… Conhecemos as consequências da demissão do Estado da construção de habitação pública a preços controlados porque se submete ao dogma de que o mercado resolve. Está à vista!
Um pouco em sentido inverso, tem ocorrido um conjunto de melhorias na política de transportes públicos em particular nos passes, por exemplo a gratuitidade para jovens, maior apoio social e novos passes nacionais ferroviários. O passe jovem abrange todos os estudantes até 23 anos, Passe Social + já existia foi alargado abrangendo agora 2,5 vezes mais pessoas, etc, [mais dados aqui].
Estão criados problemas bons, criados por melhorias; agora é preciso que o governo seja consequente com as boas medidas e deixe de lado os seus dogmas de mercado. A ver vamos!
Ouça aqui a crónica sonora:
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
O rapaz do hospital
O rapaz tinha cursado eletricidade, acabado o antigo curso complementar dedicou-se a calejar as mãos que os escudos faziam falta e o desejo de autonomia ardia no peito.
Depois de um “estágio” de servente de pedreiro ingressou como eletricista na construção do Hospital de Santarém. Quando ele fala desse tempo fá-lo com gosto. Lembra-se do grande refeitório, da grande fogueira onde se assava carne, da relação muito solidária com os colegas, de quando organizou um protesto porque a direção de obra não deixou entrar bicicletas e motorizadas, dos plenários e das greves, de uma bonita filha do encarregado que trabalhava na secretaria, de quando separou uma briga de colegas… Coisas de rapazes com “sangue na guelra” em tempos de entusiasmo popular.
O rapaz seguiu outros trabalhos, mas as obras do hospital continuaram. O Hospital Distrital de Santarém foi inaugurado em 15 de novembro de 1985. Foi um salto positivo e enorme na construção do Serviço Nacional de Saúde e dos cuidados à população.
Como em alguns filmes, a narrativa dá um salto. O Hospital já fez 40 anos! É a partir daqui que a narrativa se transfigura olhando para o estado a que este chegou…
Agora o hospital está muito mais moderno e até tem página de internet, com isso ganhamos transparência. É nela que podemos ver, por exemplo, os desmesurados tempos de espera para as consultas de duas especialidades, cujo atendimento prima pela fragilidade.
Ginecologia nº utentes dias de espera Obstetrícia nº utentes dias de espera
Muito prioritário 19 31 Muito prioritário 50 18
Prioritário 132 57 Prioritário 106 37
Normal 214 533 Normal 42 44
Tais factos deveriam incentivar a comunidade a indignar-se. Nem com cerca de 50 crianças a nascerem em ambulâncias ou episódios sucessivos de aflição de mulheres grávidas?!
Em dezembro de 2022 o governo criou o chamado “Programa nascer em segurança no SNS”. Este programa foi anunciado depois de meses e meses de problemas com encerramentos de urgências. Os problemas continuaram, deixou-se de falar no programa – salvo quando vemos reportagens nas TVs, por vezes com desfecho dramático.
Mudou o governo, a situação parece estar ainda pior. Nos passados dias de 31 de dezembro e 1 de janeiro os hospitais de Santarém, Abrantes e Vila Franca de Xira tiveram as urgências de obstetrícia, ginecologia e pediatria encerrados. Toda esta faixa central do país ficou sem assistência. É deveras tristemente espantoso!
Ainda no que ao nosso hospital diz respeito, já em 3 de março de 2023 as notícias indicavam que só tínhamos 8 em 20 anestesistas necessários, 19 em 40 médicos de medicina interna necessários, 5 em 14 ortopedistas necessários…
Por falar em notícias, no dia 5 de junho de 2025 a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, ASAE, fechou a cozinha do hospital por irregularidades que se arrastavam desde 2020, tendo só reaberto depois de finalizadas as correções das irregularidades.
Toda esta degradação do Serviço Nacional de Saúde que atravessou vários governos foi propositada [acusação forte?] – ou parece. Esta degradação do SNS obrigou milhões de portugueses a recorrer a seguros privados passando a pagar duas vezes mais [no seu desconto salarial + apólice de seguro] pelos cuidados de saúde que a Constituição da República diz deverem ser tendencialmente gratuitos.
Afinal, tudo isto, veio abrir espaço de negócio para Santarém já ter dois hospitais privados, cujas empresas lucrarão com as nossas necessidades de cuidados de saúde. O novo hospital privado atrairá ainda mais pessoal de saúde para os seus quadros pagando mais e dando melhores condições. O SNS ficará ainda mais fragilizado!
Afinal, com tudo isto, parece que normalizámos o que não é normal, parece que nos anestesiámos… !
Afinal, tudo isto, nem era para falar do rapaz do hospital que mandava fulminantes para a fogueira dos assados ou da tentativa de boicote dos trabalhadores à festa do “pau de fileira”…
(Também publicado no jornal online Mais Ribatejo)
Ouça a crónica sonora aqui:
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Um mundo infestado de demónios
| Ilustração digital. Mais Ribatejo/IA |
Este é o título de um dos magníficos livros de Carl Sagan. Na contracapa o texto começa com a pergunta: “Estaremos no limiar de uma nova era de obscurantismo e superstição?”
Os livros, por vezes, “caiem-me” nas mãos. O caso é que “Um mundo infestado de demónios”(1) chamou-me lá do meio da estante, lá onde Sagan “toma café” com Hubert Reeves, Stephen Hawking e outros, que fizeram da incitação ao conhecimento um contributo determinante para um futuro positivo da humanidade.
Carl Sagan veio “atrapalhar” as minhas leituras de “O enigma de Israel”, de Henrique Cymerman e “A vegetariana” de Han Kang. O livro foi publicado pela primeira vez em 1995 e em Portugal em setembro de 1997 numa edição Gradiva. Mas é fabuloso, basta olhá-lo que a nossa mente vai perguntar: o que trará sobre os tempos que correm?
Terei lido este livro há uns 23 ou 24 anos [nem sei], preciso de voltar a embrenhar-me nele, acompanhado da minha caneta de cores. Preciso de voltar a sublinhar, a comentar, aos meus pontos de exclamação e interrogação, a escrever perguntas interpelando o livro como se fosse um diálogo vivo. Recorro às minhas notas e sublinhados de então, partilho algumas convosco.
“Nós seres humanos, temos uma triste tendência para cometer os mesmos erros repetidas vezes. Temos medo dos desconhecidos ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de nós. Quando ficamos assustados começamos a ser agressivos para as pessoas que nos rodeiam.” [pág.422]
Esta frase faz-vos pensar em algo? Estais de acordo que temos medo dos desconhecidos ou das pessoas diferentes? Encontrais aqui algo em que o racismo se possa apoiar hoje para manipular as mentes humanas?
E por falar em manipulação, dou, de novo, a palavra a Sagan…
“Podemos ser manipulados até extremos de insensatez por políticos espertos. Dêem-nos o tipo de chefe certo e, tal como o mais sugestionável paciente do terapeuta pela hipnose, faremos de bom grado quase tudo o que ele quer – mesmo coisas que sabemos erradas”. [pág. 423]
Sagan, e sua esposa, Ann Druyan, que colaborou na escrita do livro, relacionam esta problemática com a democracia e as suas ferramentas de defesa. Aliás, um problema que atravessa a Europa e Portugal em particular. Como é que a democracia se defende de quem a usa para a destruir? Como é que a democracia suscita a participação cívica para que não seja repressiva e até onde vai essa tolerância? Questões bem evidentes nos recentes episódios de ódio que são públicos.
O livro coloca um exemplo:
“Randall Terry, fundador [chefe] da Operação Resgaste, uma organização contra as clínicas de aborto disse numa reunião em 1993: Que uma onda de intolerância se abata sobre vós… Sim, odiar é bom… O nosso objetivo é uma nação cristã… Fomos chamados por Deus para conquistar este país… Não queremos pluralismo”.
É interessante verificar como estas afirmações, com mais de 30 anos, bem longe deste pequeno país “à beira-mar plantado”, são repetidas por um político que afirma ter uma missão perante Deus, uma ação cristã… Estas narrativas são comuns em vários países do mundo nos personagens que corporizam os discursos de ódio, liberalização e livre posse das armas, confronto contra os direitos das mulheres, dos imigrantes, etc.
Sagan e Ann Druyan trazem ao livro uma interessante abordagem de Thomas Jefferson, que foi o 3.º presidente dos Estados Unidos (1801–1809) e principal autor da Declaração de Independência. Apesar de ser uma figura polémica [por exemplo: defendia as liberdades, mas terá tido centenas de escravos], Thomas Jefferson é chamado ao diálogo com algumas das suas intervenções. Deixo-vos com a sua afirmação de que era “essencial que as pessoas se educassem a si mesmas e se envolvessem no processo político. Sem isso, dizia ele, os lobos vencerão”. Jefferson usava por vezes a classificação de lobos e cordeiros para diferenciar poderosos e fracos, dominantes e dominados.
Neste mundo infestado de demónios, queremos que os lobos vençam?
Vítor Franco
P.S. Sagan dedicou este livro ao seu neto Tonio, “Desejo-te um mundo sem demónios e pleno de luz”.“Um mundo infestado de demónios”, Carl Sagan, Gradiva, setembro de 1997.
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Tu pertences a ti / Não és de ninguém…
Não é de ninguém
De ninguém”…
Esta quadra da canção “Nasce Selvagem”, do saudoso grupo Resistência, pode trazer-nos nostálgicas recordações. Pode, trago-a a esta partilha para acompanhar a lembrança de tantas crianças que nascem sem ninguém.
(Ouça aqui o podcast:)
É um lugar comum que nestas quadras festivas se recorde, ou presentei, quem não nasceu em berço de carinho ou posses. É…! Quiçá, assim se descarregam consciências pesadas de um ano desprovido de sensibilidade e humanidade.
Talvez também eu tenha caído em tal falta, quando só agora tenha decidido escrever sobre a roda do Convento das Capuchas.
Este Convento, ali na entrada do Bairro do Pereiro, lugar do meu crescimento, lugar de passagens apressadas sem perguntar: o que estará para além daquela porta? Não fazer perguntas é das coisas mais nefastas a que podemos entregar a mente. Foi preciso passarem décadas para que a indagação tenha exigido tocar à campainha. Quis saber da história da roda e do Convento.
Ali, pelos tempos idos do século XVIII, se construiu uma roda para entrega dos nascidos sem sorte de amor ou enchimento de colher. Nascidos de amores escondidos, de pobres sem eira nem beira, de trabalhadores quase escravos, das e dos que já então dividiam uma sardinha por três para uma fatia de pão de milho como os e as nossas avós. Ali se fazia a entrega anónima de quem nascia para viver “selvagem”.
Luiza Andaluz criou ali, em 1925, um novo lugar de acolhimento solidário, a que deu o nome de “Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes”. E, aos inocentes – pois que de nada são culpados – Luiza poderá ter dito “E para ti serás alguém / Nesta viagem”.
Aquele bairro, o do Pereiro, que em tempos terá sido lugar de acampamento romano, tem um lugar de paz e construção. No lugar onde cresci, ali ao pé da antiga “escola das meninas”, ali perto de onde “subtraía” nêsperas deliciosas do quintal de um vizinho, está um lugar de acolhimento mesmo que ele passe despercebido à comunidade.
Hoje continuam a nascer inocentes, crianças “sem ninguém”, vítimas de uma pobreza cultural e económica que persiste neste modelo de sociedade realmente existente. Continuam a nascer “selvagens” que não são de ninguém, a não ser da “má sorte”, apesar da boa nova de abril. Abril sussurra-nos por socorro, que o passado está a destruir o futuro, que o ódio se fez presente e expulsou a tolerância, o respeito e a solidariedade. Abril grita – mas poucos o ouvem -, na alienação que tolhe pensamentos e turva a visão! Nesta alienação, parida do ódio do “estado novo”, há palavras e actos exauridos: diálogo, sinceridade, luta, esperança…
Ali, no Bairro do Pereiro, há lugares com esperança para todos – para que todos sejamos alguém, nesta viagem!
terça-feira, 16 de dezembro de 2025
Do atentado terrorista na Austrália para o mundo, ódio alimenta ódio
Começo por enviar os meus pêsames às comunidades judaicas e repudiar este horroroso ataque terrorista antissemita.
Este ano estive numa abertura do Hanukkah em Lisboa, tal como estive no Rosh Hashaná que celebra o ano novo judaico – com todo o gosto. Também já estive na sinagoga em cerimónia para a qual fui convidado.
Também, com todo o gosto, fui padrinho de casamento [o nikah] de um jovem muçulmano, ofereci o fato ao noivo, participei com alegria na festa [a walima] e na comidinha boa que juntou comunidade e amigos. Foi com pesar que estive no funeral do pai do meu afilhado, assisti à cerimónia [Salat al-Janazah] na mesquita de Lisboa e acompanhei-o no enterro.
Estes parágrafos iniciais identificam uma forma de estar ecuménica que valorizo positivamente e também está sendo atacada. O fanatismo religioso está a ser usado e está a caminhar a par do crescimento dos ódios e dos extremismos. Em pleno século XXI há dirigentes e governantes políticos que afirmam falar com Deus, ser possuidores de tarefas por Ele mandatadas, negacionistas da evolução das espécies e da natureza humana e que pretendem impedir a ciência proibindo ou condicionando livros e currículos escolares, afirmando que a terra é plana. Tais fanatismos, não vem só dos países islâmicos, atingem até os EUA, nomeadamente a proibição [dita descontinuação] em alguns Estados de conteúdos sobre sexualidade, identidade de género, racismo, história afro-americana… (1)
O ódio e o racismo são hoje armas de manipulação das mentalidades de centenas de milhões de habitantes deste planeta finito, onde se negam alterações climáticas e até vacinas, mas que ganham eleições. Poder-se-á dizer que a manipulação das massas via redes sociais e mentiras faz lembrar a idade média? Talvez… Não sei responder, mas sem redes sociais, fez-se a matança de judeus de Lisboa, a “matança da Páscoa de 1506, em que uma multidão perseguiu e matou milhares de judeus acusados de serem a causa de uma seca, fome e peste que assolavam o país”.
Em nome de uma religião, odiam-se “infiéis”, criam-se fantasmas como a teoria da substituição e da colonização da Europa pelos imigrantes islâmicos – esquecendo os crimes da escravatura, do colonialismo ou a opressão dos povos africanos. Pretende-se proibir igrejas “alheias” quando, em nome da fé, se fizeram matanças em todo o planeta e se implantou uma igreja colonial. E nem é preciso recorrer às Américas ou a África – veja-se o que fizeram as tropas católicas romanas na extinção do povo cátaro no sul de França.
O facto de eu não acreditar na existência de um Deus [sou ateu] não significa que não respeite quem acredita e [acho eu] credita-me de um olhar mais aberto – também responsável - para olhar o crescimento do ódio e do racismo no mundo.
É preciso ver a vida como ela é!
A vida humana é diversa, multicolor e multicultural. Mas todas as pessoas são feitas exatamente da mesma carne, dos mesmos ossos, do mesmo sangue. O ser humano, enquanto ser, só tem garantia de sobrevivência no respeito da diversidade pois é esta que faz a sua Unidade enquanto espécie!
- Que diriam vocês se a cerimónia de Hanukkah ou a sinagoga, onde estive, fosse atacada por fanáticos de ódio e religião e me matassem?
Depois do 25 de abril o “internacionalismo proletário” era muitas vezes invocado, e bem, para negar as guerras injustas, a opressão de povos pela elite dominante de outros povos, a matança entre pessoas que nada decidem e só obedecem às chefias militares e políticas. São precisos diálogos ecuménicos e para a paz entre os povos, as esquerdas têm uma especial responsabilidade nisso.
TODOS OS POVOS TÊM DIREITO À SUA IDENTIDADE, AUTODETERMINAÇÃO E DEMOCRACIA.
Talvez hoje se possa invocar e globalizar o internacionalismo solidário e democrático. A tarefa parece ciclópica, mas é um problema candente que exige solução!
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
Dos factos à greve geral
| Foto de António Cotrim / Lusa. |
Entre 2000 e 2025, as empresas do PSI 20 acumularam aproximadamente 100 mil milhões de euros em lucros líquidos, com forte participação das empresas de energia, banca, retalho e papel. Destes lucros, distribuíram 60 mil milhões aos acionistas, taxa média de distribuição (payout ratio) de 60% ao longo do período, segundo o Jornal Económico. Tudo isto apesar de covid, guerras, instabilidade política e financeira na Europa e no mundo (…) a prioridade foi remunerar acionistas!
A EDP destacou-se. Hoje a digitalização das redes e da sua operação, os telecomandos e a inovação tecnológica, as inovadoras formas de produção de energia diminuíram exponencialmente a mão de obra. A contratação de empreiteiros para tarefas permanentes, substituindo trabalhadores do quadro por precários subcontratados, vai tornando o trabalhador com direitos estáveis numa “espécie em regressão”.
Coincidência, ou talvez não, i) o atual secretário de Estado era o anterior responsável das relações laborais da EDP, ii) os argumentos deste governo na pretensão deste pacote laboral são idênticos aos usados pela EDP para tentar agora a denúncia do Acordo Coletivo de Trabalho.
Como salientou a economista Helena Garrido, o país tem um enorme “peso dos sectores de valor acrescentado muito baixo”. Este facto é estrutural há muitos anos no país, no desiderato da competitividade. Portugal especializou-se a servir à mesa, a fazer camas, a produzir frutas de elevado consumo de água e outras produções de baixo valor acrescentado.
A recuperação salarial de milhões de pessoas castigadas pela troika, pela salvação dos bancos e pela pobreza “endémica”, poderá ter influenciado os custos unitários do trabalho em processos produtivos atrasados e os resultados de pequenas empresas em setores como o calçado, têxteis, e outras empresas de setores intensivos em mão de obra… Muitos empresários têm mostrado resistência à inovação tecnológica, à inovação e à criatividade, mantendo processos de trabalho cuja produtividade depende mais do número de braços e de mais horas de trabalho do que da modernização tecnológica e inovação.
Compreende-se [digo eu] que a “produtividade portuguesa seja 80% da europeia, por trabalhador”; também quando “34% dos trabalhadores têm formação superior, para apenas 28% dos empregadores” [Helena Garrido].
O futuro faz-se com futuro!
A solução para diminuir os custos do trabalho por unidade produzida (CTUP) não passa por obrigar as pessoas a trabalhar sem receber horas extraordinárias, nem por diminuir ainda mais aquele que já é dos salários mais baixos da Europa, nem por destruir a contratação coletiva que constrói democraticamente uma relação comunitária mais justa!
A solução para uma boa economia não passa por retroceder nas relações sociais e empobrecer as pessoas, passa pela modernização, inovação, investigação e fomento dos setores económicos de mais valor acrescentado com empregos de futuro. Uma economia que mantenha os “30 mil jovens qualificados (com ensino superior concluído) que emigram por ano em busca de melhores condições de vida e salários”. Essa fuga “representa uma perda estimada de 2 mil milhões de euros por ano para a economia portuguesa” segundo a Federação Académica do Porto.
Uma vida digna não passa por tornar ainda mais instável e precária a vida das e dos trabalhadores, dificultar ainda mais a maternidade e a paternidade - quando caminhamos para um país de velhos -, e, antidemocraticamente, limitar direitos constitucionais como a liberdade sindical e o direito à greve!
Aderir e apoiar a greve geral de 11 de dezembro é um ato pela justiça e respeito das e dos trabalhadores. Por uma vida digna!
Vítor Franco
P.S. Poderá ler informação detalhada e simples no link do Sindicato das Indústrias de Energia e Águas de Portugal (SIEAP) clicando aqui.
domingo, 3 de agosto de 2025
Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #17 e última
Se há mensagem que ainda pode elucidar a vivência destes povos é esta que partilho neste vídeo. Ouçam e vejam. E pensem, pensem o que podem fazer pela cidadania, pelo lugar onde vivem - o vosso lugar!
Até à próxima cicloviagem.
Vítor Franco
sábado, 2 de agosto de 2025
Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #16
A rota chegou ao fim. Regressei a Riga em mais um excelente transporte Lux Express. Dei mais umas voltas pela cidade e tirei mais umas fotos. Voltei ao pequeno hotel que me recebeu quando cheguei e guardou a minha caixa de papelão de levar a bicicleta de avião. A dificuldade foi desmontar o pedal direito, estava muito apertado , não foi capaz. Resolvi arriscar, afinal fica do lado do desviador e até serve de proteção. No embarque da bike só me perguntaram se tinha diminuído a pressão dos pneus, safei-me. A lição fica, da próxima levo uma pequena chave francesa e quando montar os pedais limpo bem as roscar e ponho massa ou spray lubrificante.
Fui "preso" na Lituânia, comido pelas melgas nas florestas da Letónia, "mirei" donzelas esguias de olhos azuis na Estónia, aprendi arquitetura na capital finlandesa...
A Cortina de Ferro foi a ocupação soviética, mas, talvez muito mais, foi a matança de judeus, insurgentes, comunistas e democratas que o ódio nazi fez, calcula-se 200.000 mil pessoas.
Acabou a rota...
Afinal, quem fui por aqui?
Fui andarilho, por terras do Báltico...
Andarilho... Nome de canção do mestre Zeca...
José Afonso faria hoje 96 anos, obra imortal!
Ao lírio maninho
Na Bouça da Fresta
No Casal Velido
Erva cidreira
À erva veludo
Na Lomba regueira
No Pinhal do Mudo".
Em Cantares de Andarilho
https://youtu.be/6fs5PE0TIG0?si=qKh2vIkGYUtO69yr
sexta-feira, 1 de agosto de 2025
Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #15
"As cruzes das igrejas ortodoxas e católicas refletem diferenças profundas na teologia, na tradição e na estética de cada ramo do cristianismo.
Cruz OrtodoxaA cruz ortodoxa geralmente tem três barras horizontais:
- Barra superior: representa a inscrição colocada por Pilatos — “INRI” (“Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”).
- Barra do meio: é a principal, onde os braços de Jesus foram pregados.
As igrejas ortodoxas têm cruzes diferentes consoante o rito?
Sim, existem variações nas cruzes ortodoxas conforme o rito, a tradição regional e até o período histórico. A Igreja Ortodoxa não é monolítica — ela inclui várias jurisdições com práticas distintas, e isso se reflete também na simbologia das cruzes.
Exemplos de cruzes ortodoxas por rito ou tradição- Cruz Ortodoxa Russa:
- Tem três barras horizontais: a superior (INRI), a central (braços) e a inferior inclinada (apoio dos pés).
- Muito usada na Igreja Ortodoxa Russa e nas igrejas que seguem o rito eslavo.
- Cruz Bizantina ou Grega:
- Frequentemente tem quatro braços iguais, formando uma cruz grega.
- Pode incluir letras como IC XC NIKA (“Jesus Cristo vence”) e é comum na tradição grega e balcânica.
- Cruz de Santo André:
- Em forma de X, associada ao apóstolo André, padroeiro da Rússia e da Escócia.
- Pode incluir quatro letras “C” ou “B” nos cantos, representando “Só com Cristo, Salvador” ou “Só Deus Salva”.
- Cruz Ortodoxa Etíope:
- Extremamente ornamentada, com padrões geométricos complexos.
- Reflete a estética africana e a tradição copta ortodoxa.
Influência do rito e da culturaCada cruz carrega não só um significado teológico, mas também identidade cultural e litúrgica. Por exemplo:
- Igrejas que seguem o rito bizantino tendem a usar cruzes mais simbólicas e decorativas.
- Igrejas do rito antigo eslavo (como os Velhos Crentes) mantêm formas mais tradicionais e simbologias específicas."
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Se há mensagem que ainda pode elucidar a vivência destes povos é esta que partilho neste vídeo. Ouçam e vejam. E pensem, pensem o que podem ...
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A criação do passe ferroviário verde foi uma ótima medida de fomento do serviço público ferroviário. Este passe ferroviário fez encher os co...

