quarta-feira, 23 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #8


Hoje iniciou-se a terceira fase, o “bate-volta” a lugares históricos com base no centro histórico de Vilnius e património mundial.

O Castelo de Trakai foi o destino. Bicicleta em linha e lá fomos fazer os 32km até essa “verdadeira joia medieval” da Lituânia.
Outra vez uma estrada com muito movimento; lá fomos, ciclovias de vez em quando, uma estrada ou outra mais interior bom comportamento dos motoristas.
A caracterização informativa diz que é um “castelo especial.
 

- Construído no século XIV em uma ilha no lago Galvė, é o único castelo insular da Europa Oriental
- Sua arquitetura gótica e os tijolos vermelhos criam um visual digno de contos de fadas
- Foi residência dos Grão-Duques da Lituânia e palco de festas luxuosas”.
 


Na verdade é bonito, toda a envolvência o é, já está candidato a património mundial.
O castelo está em recuperação nalgumas torres. Contém exposições com variados objetos preciosos, armaduras, pinturas, etc, etc.

O lugar de Trakai é caraterizado pelas bonitas casas em madeira.

O almoço voltou a ser parras de uva . Fiz ainda a visita ao castelo/museu, já perto da igreja ortodoxa, que me deu faz dar nota negativa pela desorganização e pela antipatia.


Optei por fazer a volta a Vilnius de comboio, pois já foi em hora de ponta e tento sempre correr menos riscos.
Sabiam que o clube de Vilnius equipa como o Sporting? O clube do "pardal de trigo" ainda não vi nada. Não se zanguem .

Uma nota para a viagem de Tallinn a Vilnius, de ontem, com a Lux Express. Trabalham muito bem. O autocarro tinha um lugar só para bicicleta, não foi preciso desmontar nada, WC, máquina de café, chá, capuccino, gratuito [eu só bebi dois chocolates, dois capuccinos e dois cafés em 9 horas de viagem está bom. ], água, tudo gratuito. O autocarro tem WiFi, TV, filmes, rádio…, muito confortável. Bom e barato! Estão de parabéns!
Vítor Franco

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #7

Tallinn, capital da Estónia.
O dia, em Tallinn, tinha como plano a visita a museus e lugares que me contassem dos tempos das guerras e das ocupações, ora vejam só:
• Declaração de independência a 24 de fevereiro de 1918;
• Ocupada pelo Império Alemão em Fevereiro–novembro de 1918;
• Reconhecida independente a 2 de fevereiro de 1920;
• Ocupada pela URSS em 1940–1941;
• Ocupada pela Alemanha Nazista em 1941–1944;
• Ocupada pela URSS em 1944–1991;
• Redeclarada independente em 20 de agosto de 1991.
Este povo sofreu "um pouco", não?
A primeira visita foi à prisão do KGB.
Segundo a discrição "durante décadas, esse local foi usado como centro de detenção e interrogatório pela NKVD e, posteriormente, pela KGB.

 

As celas são muito pequenas e sombrias, algumas abrigavam até 18 pessoas ao mesmo tempo. Os prisioneiros — que incluíam políticos, intelectuais, veteranos da guerra e cidadãos comuns — eram mantidos em condições desumanas, submetidos a interrogatórios brutais e, muitas vezes, enviados para campos de trabalho na Sibéria ou executados." Tinha um castigo aos presos que era de fechar o preso num armário minúsculo onde nem podia abrir os braços, não se conseguia sentar.
O museu guarda milhares de papéis do tempo soviético e lá encontrei um esquema elétrico.
A outra visita foi ao museu Vabamu Museum of Occupations and Freedom Okupatsioonide. Está interessante, essencialmente em multimédia, mas perde por excessivamente opinativo e, na minha opinião, com dados incorretos.
Dois outros museus estavam fechados, visitei o interior da ortodoxa Catedral Alexander Nevsky que é património mundial. É lindíssima, ao tradicional estilo ortodoxo, pena não se puder tirar fotografias no interior.
Hoje fiz uma coisa que gosto: almoçar com muita calma, num local de boa observação das pessoas locais. Estive à conversa com a menina que servia às mesas, é ucraniana, quase não sabe falar estónio e fugiu da guerra [a sua vila é quase encostada a Odessa e não teve outra solução], se fosse em Portugal recebia ordem de expulsão que não cumpria as novas regras do governo.
Aquela menina bonita ainda não tinha tido tempo de aprender estoniano, naquela rua turística onde o inglês predomina. Onde estaria a viver a menina que ainda não sabia estoniano? Numa casa de imigrantes com vinte pessoas como aqui acontece em Portugal?


Volteio o olhar pela rua. Olho a bela porta da muralha e as dezenas de pessoas que nela pousavam para a foto. Um jovem fazia habilidades com a bola, um verdadeiro artista, fui ter com ele e deixei uma moeda no seu chapéu. Disse-lhe que ele era como o Ronaldo, ao que ele respondeu sem nunca deixar cair a bola “é o meu favorito”. Uma jovem senhora tocava música clássica num instrumento que não descobri o que era. Aproximei e deixei umas moedas, não tive coragem de a interromper. E voltei à mesa.




 O dia acabou com um passeio pelas muralhas e um corte de cabelo por uma senhora que tinha os olhos de um azul lindo. Ainda deu tempo para visitar uma livraria e dar os parabéns ao livreiro por estar a vender o livro "o banqueiro anarquista" do autor português Fernando Pessoa.
Amanhã há mais.

Quem será o homenzinho de chapéu alto, que caminha deixando rasto, e cujos botões do casaco brilham?


Segundo consegui apurar, a "imagem mostra a escultura do "Lucky Chimney Sweeper" (Limpador de Chaminés da Sorte). Esta escultura de bronze, criada por Tauno Kangro e inaugurada em 2010, está localizada na Cidade Velha de Tallinn. A estátua homenageia os limpa-chaminés e a crença popular de que tocar nos seus botões dourados trazia boa sorte. Os botões brilhantes no casaco da estátua convidam os visitantes a esfregá-los para atrair fortuna". Ops, esqueci-me de esfregar os botões :) :)
Vítor Franco

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #6


Hoje o dia foi para visitar Helsínquia. Foi um bate-volta como dizem no Brasil. Saí de Tallinn bem cedo [tinham-me alertado para preços muito altos, então levei um saco quase cheio de comida, eh eh eh] e voltei no último barco.
Valeu a pena “ganhar” uma nota para visitar a capital da Finlândia. Cidade de amplas ruas, vários edifícios de clara influência russa pois esteve sob domínio do Império Russo de 1809 a 1917 e, segundo me contaram, foi arquitetonicamente alterada por inspiração em São Petersburgo, ex Leninegrado, por exemplo a Catedral Ortodoxa Uspenski.
 

A tendência arquitetónica atual é, dizem as leituras, de forte influência neoclássica, bem interessante e patente na Catedral católica [a branquinha] e na Praça do Senado. Uma nota paralela, eu adoro as obras do arquiteto Andrea Palladio e tive o prazer de visitar Vicenza, cidade onde faleceu e onde se situam algumas das suas mais belas e magníficas construções.
 

Em Helsínquia, realço o enorme edifício da livraria Oodi, é simplesmente magnífico! Ondulado externa e internamente, amplo e cheio de luz natural, pulula de vida. Salas de ensaio para bandas [em tempos idos defendi isso para o ex matadouro], dezenas de jovens a jogar xadrez, outros jogos dos mais variados, salas de informática, impressão em papel e 3D, lugares até só para ler, descansar e muitos a dormir a sesta, espaço para crianças, famílias em “piquenique” ...

 
 
  
Nota alta para o museu de Arte Finlandesa que destaca nas suas exposições como a histórica discriminação da mulher impediu a afirmação da mulher artista. Cito, “Se uma mulher quisesse escolher os seus próprios temas, como paisagens montanhosas, tinha de viajar e fazer trilhos. Fazê-lo sozinha era mal visto. Muitas vezes, uma artista era acompanhada por um colega ou familiar do sexo masculino, enquanto uma acompanhante mais velha também era aceitável. Algumas até viajavam sozinhas, mas só mais tarde na vida, como Elisabeth Jerichau-Baumann fez depois dos 50 anos.” Imagina-se hoje, mas alerta que o machismo está a crescer imenso!

  
Boa nota também para o museu de história natural, muito didático, com muitos animais embalsamados…
Agora, imagine, uma Capela quase redonda, num canto de uma praça, sem qualquer identificação, onde qualquer religião pode ter culto, a Capela do Silêncio / Kampin kappeli.

Parlamento
Capela
 
Não houve tempo para ver a igreja Luterana construída de dentro da própria rocha, igreja da Rocha / Temppeliaukio.
Noite dentro, de volta a Tallinn...
Muito mais fotos na publicação do facebook.
Vítor Franco  

sábado, 19 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #5

Fase 2 da rota, entrou na fase a pé. 

Esta noite paguei os custos de viajar no verão e do povo fugir para a praia com a onda de calor. Só consegui arranjar dormida já a barriga pedia jantar, ora, eu não sabia, não pesquisei previamente :), que Parnu é o Algarve do país. Paguei 200€, mais do que o total de todas as noites anteriores em melhores lugares, para não ir dormir na rodoviária lá do sítio :). A enorme baía de Parnu insere-se no golfo de Riga, tudo boas condições para uma praia com centenas de metros com pé, mar sem ondas e água quentinha. Um paraíso para as dezenas de milhares de pessoas que enchiam a enorme praia - em particular para as crianças e os idosos. Percebi que não eram só estonianos, mas pessoas de vários países. Lá tive de ir dar o mergulho da ordem.


  

A manhã foi dedicada também com a ida ao Museu de Arte Nova de Parnu. Alguns quadros de forte mensagem. Valeu a pena a visita.

Os transportes, por aqui, são essencialmente em autocarro. Nota positiva máxima para a empresa  Lux Express. Autocarros cómodos, com compartimento próprio para bicicletas -  sem acréscimo de preço -, máquina de café, capuccino, leite, água (...) tudo de graça, enormes descontos para maiores de 60 anos. No bus de Parnu a Tallinn, paguei 6€, não foram 30 nem 40, apenas 6€.
Dou conta que os países bálticos não têm comboio nos movimentos norte - sul, nem sequer uma autoestrada. Salvo melhor opinião, isso deve-se à forma como foi a sua inserção [ocupação] pela União Soviética pois os deslocamentos eram essencialmente leste - oeste, o modelo de interesse à economia e país dominante.

O fim de tarde foi de deambulação pelo interessante centro histórico de Tallinn, património mundial, destaque para a foto 19 da linda Catedral Ortodoxa.

  

A embaixada da Rússia está "cercada" de cartazes de protesto contra a invasão da Ucrânia. Cartazes, peluches, fotos de mortos, flores... Um tema que abordarei...
Cito da informação turística: "História e charme medieval.
Tallinn é a capital da Estônia e está situada às margens do Mar Báltico. Seu centro histórico, conhecido como Old Town, é um dos mais bem preservados da Europa e foi reconhecido como Património Mundial pela UNESCO. Ruas de paralelepípedos, muralhas antigas, torres de defesa e igrejas góticas criam uma atmosfera única que remonta ao século XIII."
Vítor Franco

 





sexta-feira, 18 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #4

Rota da Cortina de Ferro #4
A volta de hoje e, ainda, voltando a Riga. Umas breves palavras sobre o gato no telhado e o Museu de Ocupação da Letónia, cito:
“ É um museu histórico localizado em Riga, capital da Letónia, que documenta os 51 anos de ocupação totalitária que o país sofreu no século XX.
- Fundado em 1993, o museu tem como missão "Lembrar. Honrar. Alertar."
- Ele retrata os períodos de ocupação:
- Soviética (1940–1941)
- Nazista (1941–1944)
- Soviética novamente (1944–1991)
- O acervo inclui mais de 60.000 itens, como documentos, objetos pessoais, fotografias e testemunhos em vídeo de sobreviventes.”

 
Independente das visões ideológicas de cada pessoa, é um museu interessante. Pela crueldade fascista, realço as fotos sobre o fuzilamento nazi às mulheres. Mais de 200 mil pessoas foram assassinadas pela ocupação nazi dos países bálticos. Nem sequer construíram campos de concentração - era "matar a eito". A maioria foram judeus, mas também comunistas, ciganos, pessoas de esquerda, intelectuais...

Sobre a casa dos gatos no telhado, e cito:
“ O que é a Casa do Gato?

- Localizada na Meistaru iela 10, no centro histórico de Riga
- Construída em 1909 no estilo medieval com toques de Art Nouveau
- No topo, há duas esculturas de gatos pretos com as costas arqueadas e caudas erguidas, como se estivessem prontos para atacar
A lenda por trás dos gatos
- O dono da casa, um rico comerciante letão, queria entrar na Grande Guilda de Comerciantes, mas foi recusado — dizem que por preconceito contra letões
- Em retaliação, ele mandou instalar os gatos no telhado com os traseiros voltados diretamente para o prédio da guilda, como um gesto nada sutil de desprezo. As guildas eram associações medievais de comerciantes e artesãos que desempenhavam um papel central na vida econômica e social da cidade.
- A guilda ficou ofendida e levou o caso à justiça. O comerciante foi obrigado a girar os gatos para uma posição mais respeitosa.
Curiosidades
- A história tem variações: alguns dizem que o alvo da provocação era a prefeitura de Riga, não a guilda
- Hoje, os gatos são um dos símbolos mais fotografados da cidade, e a Casa do Gato virou ponto turístico obrigatório.”
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Hoje a volta foi para chegar cedo a Parnu (as últimas 4 fotos), ir à praia que está um calor enorme, visitar bonitas casas de madeira e preparar a minha ida para Tallinn. Pelo caminho conversei com cicloviajantes que estão a fazer norte-sul, a minha conversa com eles foi decisiva para decidir alterar o percurso: não vou fazer as ilhas.
Vítor Franco

 
 






quinta-feira, 17 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #3


Rota da Cortina de Ferro #3
Entrei na Estónia por uma estrada de terra. Foi dia de pedalar, 104km, fora quando o relógio esteve desligado.

O destaque #1 do dia é para o museu de bicicletas, uau, que maravilha, dezenas de bicicletas, muitas com muito mais de 100 anos.
 


O destaque #2 é para a paixão que elas têm pelas minhas pernas; os braços nem tanto - talvez por os bíceps não serem grande coisa. Elas adoram mesmo muito!
A tal pouco que se paro próximo da floresta, que aqui é em quase todo o lado, lá estão elas a vir dar beijinhos...
Quer dizer, é mais dentadinhas! As minhas perninhas estão a ferver de tanto carinho. Acho que estas que falo gostam é de swing e trocam de parceiro em alta velocidade.
Uff, dão cabo de mim, não me aguento com tantas.
Quem são elas? As melgas! .
O dia acabou num bungalow de um parque de campismo a comer um prato da minha adorada aveia sem glúten.
Vítor Franco




Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #17 e última

Se há mensagem que ainda pode elucidar a vivência destes povos é esta que partilho neste vídeo. Ouçam e vejam. E pensem, pensem o que podem ...