Trago este tema à escrita porque li hoje uma palavra que há muitos anos não saía do “baú”: inadimplência. Ela “veio à luz” numa newsletter do portal económico Quartz.
Quartz trouxe a notícia de que “A dívida dos americanos com cartões de crédito disparou para US$ 1,26 trilhão, aproximando-se de um recorde histórico…” intitula o artigo. Na escala portuguesa será um bilião, cento e nove mil milhões, novecentos e trinta e quatro milhões de euros € 1 109 934 000 000. [1 trillion = 1.000 billion = 1.000.000 milhões = 1 bilião em português europeu]. Ter em atenção que a dívida em cartão de crédito é apenas 7% das dívidas nos EUA [Reuters]. E (…) dos “175 milhões de americanos com cartões de crédito, cerca de 60% não pagam o saldo integralmente todos os meses”!!!
Parti à pesquisa. Descobri outra notícia que diz que parte significativa da dívida de saúde vem das famílias de baixos rendimentos: “pelo menos 14 milhões de americanos devem mais de US$ 1.000 em despesas médicas e cerca de 3 milhões devem mais de US$ 10.000” [Kff.org]. Pior. A Reuters informa das "cobranças inflacionadas ou duplicadas, honorários por serviços que o paciente nunca recebeu ou cobranças já pagas (…), com americanos perseguidos injustamente por empresas de cobrança de dívidas por contas médicas infundadas ou inválidas."
- Em Portugal o Serviço Nacional de Saúde português é tendencialmente gratuito!
Cerca de 9% da dívida castiga os mais jovens, “os empréstimos estudantis totalizam US$ 1,65 biliões”. É o direito ao conhecimento mercantilizado, é o futuro melhor dependente de um empréstimo, é a inversão do conceito de democracia. Logo em jovens, a dívida torna-se normalidade! Aprender é um direito da democracia, não é um negócio bancário!
- Em Portugal o Ensino Público obrigatório é gratuito e o superior é tendencialmente gratuito! É uma das conquistas de abril… Pois…
O império da dívida é a dependência eterna!
Quadro de dados do BCE, comparação EUA - Portugal:
1. Os dados e factos dos EUA mostram que mercantilização dos serviços públicos dificulta o acesso da população, aumenta a pobreza, a dívida e tende a criar dependência que dura para toda a vida. O quadro anexo mostra uma enorme diferença entre os EUA e Portugal na dívida per capita. Relevante, o país das oportunidades, o país dito como referência da democracia, a maior potência económica do mundo é o país da dívida!
2. O salário digno tem vindo a ser substituído por salário + dívida. O salário não acompanha as novas necessidades e a evolução humana; o salário digno é substituído por dívida - isso subordina as pessoas.
Na usurpação dos rendimentos, incluindo aos próprios Estados, este regime económico / político – o capitalismo realmente existente – não vive sem dívida. A dívida “eterna” garante juros, predomínio da financeirização da economia, mas também capacidade de investimento estatal e empresarial ou o consumo dos novos produtos que substituem os que ficam “caducos… Objetivamente, a dívida é a dependência e a subjugação aos ratings dos mercados da dívida controlados por uma micro minoria, é até, a subjugação da independência dos povos!
3. A habitação e a inadimplência estarão no centro de uma nova crise? Quiçá, caminhamos para uma nova crise, recordo que a habitação foi o epicentro da crise de 2008. O colapso da bolha imobiliária nos EUA desencadeou incumprimentos, falências bancárias e uma crise financeira global sem precedentes desde 1929. Em Portugal temos juros a subir, créditos bancários a subir, preços continuamente a subir “exponencialmente” [os preços das casas em Portugal subiram 16,5% só nos primeiros três meses de 2026]…
Em sentido inverso, a pressão é para salários baixos / tentativas governamentais de alterar as leis de trabalho para baixar ainda mais os salários, precariedade em crescimento e agora o anúncio de aumento 58% das insolvências, face a julho homólogo, em Portugal…
Portugal tem cerca de 88 mil casas à venda [site Doutor Finanças/observatorio-imobiliario-maio-2026] e o número real de casas vazias em Portugal é superior a 700 mil [portal idealista]. Como Portugal, e imensos países, comprovam é que só a intervenção decisiva do Estado na criação da habitação pública e na limitação da transferência de habitação permanente para Airbnbs é que conseguirá regular.
4. Concluo: i) este modelo económico substitui salários dignos por dívida, ii) direitos essenciais e públicos por mercantilização liberal da vida humana e, iii) um mercado que limita a democracia a uma formalidade em perda de conteúdo!
Há muito a pensar…
- Em Portugal o Serviço Nacional de Saúde português é tendencialmente gratuito!
Cerca de 9% da dívida castiga os mais jovens, “os empréstimos estudantis totalizam US$ 1,65 biliões”. É o direito ao conhecimento mercantilizado, é o futuro melhor dependente de um empréstimo, é a inversão do conceito de democracia. Logo em jovens, a dívida torna-se normalidade! Aprender é um direito da democracia, não é um negócio bancário!
- Em Portugal o Ensino Público obrigatório é gratuito e o superior é tendencialmente gratuito! É uma das conquistas de abril… Pois…
O império da dívida é a dependência eterna!
Quadro de dados do BCE, comparação EUA - Portugal:
Os dados são profundamente esclarecedores. Tenhamos claro: os serviços públicos como a saúde e a educação, com os quais o Estado apoia as pessoas, são devolução em salário indireto das contribuições que fizemos nas nossas remunerações ou atividades. Os serviços públicos não podem gerar mais dívida!
1. Os dados e factos dos EUA mostram que mercantilização dos serviços públicos dificulta o acesso da população, aumenta a pobreza, a dívida e tende a criar dependência que dura para toda a vida. O quadro anexo mostra uma enorme diferença entre os EUA e Portugal na dívida per capita. Relevante, o país das oportunidades, o país dito como referência da democracia, a maior potência económica do mundo é o país da dívida!
2. O salário digno tem vindo a ser substituído por salário + dívida. O salário não acompanha as novas necessidades e a evolução humana; o salário digno é substituído por dívida - isso subordina as pessoas.
Na usurpação dos rendimentos, incluindo aos próprios Estados, este regime económico / político – o capitalismo realmente existente – não vive sem dívida. A dívida “eterna” garante juros, predomínio da financeirização da economia, mas também capacidade de investimento estatal e empresarial ou o consumo dos novos produtos que substituem os que ficam “caducos… Objetivamente, a dívida é a dependência e a subjugação aos ratings dos mercados da dívida controlados por uma micro minoria, é até, a subjugação da independência dos povos!
3. A habitação e a inadimplência estarão no centro de uma nova crise? Quiçá, caminhamos para uma nova crise, recordo que a habitação foi o epicentro da crise de 2008. O colapso da bolha imobiliária nos EUA desencadeou incumprimentos, falências bancárias e uma crise financeira global sem precedentes desde 1929. Em Portugal temos juros a subir, créditos bancários a subir, preços continuamente a subir “exponencialmente” [os preços das casas em Portugal subiram 16,5% só nos primeiros três meses de 2026]…
Em sentido inverso, a pressão é para salários baixos / tentativas governamentais de alterar as leis de trabalho para baixar ainda mais os salários, precariedade em crescimento e agora o anúncio de aumento 58% das insolvências, face a julho homólogo, em Portugal…
Portugal tem cerca de 88 mil casas à venda [site Doutor Finanças/observatorio-imobiliario-maio-2026] e o número real de casas vazias em Portugal é superior a 700 mil [portal idealista]. Como Portugal, e imensos países, comprovam é que só a intervenção decisiva do Estado na criação da habitação pública e na limitação da transferência de habitação permanente para Airbnbs é que conseguirá regular.
4. Concluo: i) este modelo económico substitui salários dignos por dívida, ii) direitos essenciais e públicos por mercantilização liberal da vida humana e, iii) um mercado que limita a democracia a uma formalidade em perda de conteúdo!
Há muito a pensar…
Vítor Franco
Também publicado no jornal Mais Ribatejo
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