Tallinn, capital da Estónia. O dia, em Tallinn, tinha como plano a visita a museus e lugares que me contassem dos tempos das guerras e das ocupações, ora vejam só:
• Declaração de independência a 24 de fevereiro de 1918;
• Ocupada pelo Império Alemão em Fevereiro–novembro de 1918;
• Reconhecida independente a 2 de fevereiro de 1920;
• Ocupada pela URSS em 1940–1941;
• Ocupada pela Alemanha Nazista em 1941–1944;
• Ocupada pela URSS em 1944–1991;
• Redeclarada independente em 20 de agosto de 1991.
Este povo sofreu "um pouco", não?
A primeira visita foi à prisão do KGB.
Segundo a discrição "durante décadas, esse local foi usado como centro de detenção e interrogatório pela NKVD e, posteriormente, pela KGB.

As celas são muito pequenas e sombrias, algumas abrigavam até 18 pessoas ao mesmo tempo. Os prisioneiros — que incluíam políticos, intelectuais, veteranos da guerra e cidadãos comuns — eram mantidos em condições desumanas, submetidos a interrogatórios brutais e, muitas vezes, enviados para campos de trabalho na Sibéria ou executados." Tinha um castigo aos presos que era de fechar o preso num armário minúsculo onde nem podia abrir os braços, não se conseguia sentar.
O museu guarda milhares de papéis do tempo soviético e lá encontrei um esquema elétrico.
A outra visita foi ao museu Vabamu Museum of Occupations and Freedom Okupatsioonide. Está interessante, essencialmente em multimédia, mas perde por excessivamente opinativo e, na minha opinião, com dados incorretos.
Dois outros museus estavam fechados, visitei o interior da ortodoxa Catedral Alexander Nevsky que é património mundial. É lindíssima, ao tradicional estilo ortodoxo, pena não se puder tirar fotografias no interior.
Hoje fiz uma coisa que gosto: almoçar com muita calma, num local de boa observação das pessoas locais. Estive à conversa com a menina que servia às mesas, é ucraniana, quase não sabe falar estónio e fugiu da guerra [a sua vila é quase encostada a Odessa e não teve outra solução], se fosse em Portugal recebia ordem de expulsão que não cumpria as novas regras do governo.
Aquela menina bonita ainda não tinha tido tempo de aprender estoniano, naquela rua turística onde o inglês predomina. Onde estaria a viver a menina que ainda não sabia estoniano? Numa casa de imigrantes com vinte pessoas como aqui acontece em Portugal?
Volteio o olhar pela rua. Olho a bela porta da muralha e as dezenas de pessoas que nela pousavam para a foto. Um jovem fazia habilidades com a bola, um verdadeiro artista, fui ter com ele e deixei uma moeda no seu chapéu. Disse-lhe que ele era como o Ronaldo, ao que ele respondeu sem nunca deixar cair a bola “é o meu favorito”. Uma jovem senhora tocava música clássica num instrumento que não descobri o que era. Aproximei e deixei umas moedas, não tive coragem de a interromper. E voltei à mesa.
O dia acabou com um passeio pelas muralhas e um corte de cabelo por uma senhora que tinha os olhos de um azul lindo. Ainda deu tempo para visitar uma livraria e dar os parabéns ao livreiro por estar a vender o livro "o banqueiro anarquista" do autor português Fernando Pessoa.
Amanhã há mais.
Quem será o homenzinho de chapéu alto, que caminha deixando rasto, e cujos botões do casaco brilham?
Segundo consegui apurar, a "imagem mostra a escultura do "Lucky Chimney Sweeper" (Limpador de Chaminés da Sorte). Esta escultura de bronze, criada por Tauno Kangro e inaugurada em 2010, está localizada na Cidade Velha de Tallinn. A estátua homenageia os limpa-chaminés e a crença popular de que tocar nos seus botões dourados trazia boa sorte. Os botões brilhantes no casaco da estátua convidam os visitantes a esfregá-los para atrair fortuna". Ops, esqueci-me de esfregar os botões :) :)
Vítor Franco