segunda-feira, 21 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #6


Hoje o dia foi para visitar Helsínquia. Foi um bate-volta como dizem no Brasil. Saí de Tallinn bem cedo [tinham-me alertado para preços muito altos, então levei um saco quase cheio de comida, eh eh eh] e voltei no último barco.
Valeu a pena “ganhar” uma nota para visitar a capital da Finlândia. Cidade de amplas ruas, vários edifícios de clara influência russa pois esteve sob domínio do Império Russo de 1809 a 1917 e, segundo me contaram, foi arquitetonicamente alterada por inspiração em São Petersburgo, ex Leninegrado, por exemplo a Catedral Ortodoxa Uspenski.
 

A tendência arquitetónica atual é, dizem as leituras, de forte influência neoclássica, bem interessante e patente na Catedral católica [a branquinha] e na Praça do Senado. Uma nota paralela, eu adoro as obras do arquiteto Andrea Palladio e tive o prazer de visitar Vicenza, cidade onde faleceu e onde se situam algumas das suas mais belas e magníficas construções.
 

Em Helsínquia, realço o enorme edifício da livraria Oodi, é simplesmente magnífico! Ondulado externa e internamente, amplo e cheio de luz natural, pulula de vida. Salas de ensaio para bandas [em tempos idos defendi isso para o ex matadouro], dezenas de jovens a jogar xadrez, outros jogos dos mais variados, salas de informática, impressão em papel e 3D, lugares até só para ler, descansar e muitos a dormir a sesta, espaço para crianças, famílias em “piquenique” ...

 
 
  
Nota alta para o museu de Arte Finlandesa que destaca nas suas exposições como a histórica discriminação da mulher impediu a afirmação da mulher artista. Cito, “Se uma mulher quisesse escolher os seus próprios temas, como paisagens montanhosas, tinha de viajar e fazer trilhos. Fazê-lo sozinha era mal visto. Muitas vezes, uma artista era acompanhada por um colega ou familiar do sexo masculino, enquanto uma acompanhante mais velha também era aceitável. Algumas até viajavam sozinhas, mas só mais tarde na vida, como Elisabeth Jerichau-Baumann fez depois dos 50 anos.” Imagina-se hoje, mas alerta que o machismo está a crescer imenso!

  
Boa nota também para o museu de história natural, muito didático, com muitos animais embalsamados…
Agora, imagine, uma Capela quase redonda, num canto de uma praça, sem qualquer identificação, onde qualquer religião pode ter culto, a Capela do Silêncio / Kampin kappeli.

Parlamento
Capela
 
Não houve tempo para ver a igreja Luterana construída de dentro da própria rocha, igreja da Rocha / Temppeliaukio.
Noite dentro, de volta a Tallinn...
Muito mais fotos na publicação do facebook.
Vítor Franco  

sábado, 19 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #5

Fase 2 da rota, entrou na fase a pé. 

Esta noite paguei os custos de viajar no verão e do povo fugir para a praia com a onda de calor. Só consegui arranjar dormida já a barriga pedia jantar, ora, eu não sabia, não pesquisei previamente :), que Parnu é o Algarve do país. Paguei 200€, mais do que o total de todas as noites anteriores em melhores lugares, para não ir dormir na rodoviária lá do sítio :). A enorme baía de Parnu insere-se no golfo de Riga, tudo boas condições para uma praia com centenas de metros com pé, mar sem ondas e água quentinha. Um paraíso para as dezenas de milhares de pessoas que enchiam a enorme praia - em particular para as crianças e os idosos. Percebi que não eram só estonianos, mas pessoas de vários países. Lá tive de ir dar o mergulho da ordem.


  

A manhã foi dedicada também com a ida ao Museu de Arte Nova de Parnu. Alguns quadros de forte mensagem. Valeu a pena a visita.

Os transportes, por aqui, são essencialmente em autocarro. Nota positiva máxima para a empresa  Lux Express. Autocarros cómodos, com compartimento próprio para bicicletas -  sem acréscimo de preço -, máquina de café, capuccino, leite, água (...) tudo de graça, enormes descontos para maiores de 60 anos. No bus de Parnu a Tallinn, paguei 6€, não foram 30 nem 40, apenas 6€.
Dou conta que os países bálticos não têm comboio nos movimentos norte - sul, nem sequer uma autoestrada. Salvo melhor opinião, isso deve-se à forma como foi a sua inserção [ocupação] pela União Soviética pois os deslocamentos eram essencialmente leste - oeste, o modelo de interesse à economia e país dominante.

O fim de tarde foi de deambulação pelo interessante centro histórico de Tallinn, património mundial, destaque para a foto 19 da linda Catedral Ortodoxa.

  

A embaixada da Rússia está "cercada" de cartazes de protesto contra a invasão da Ucrânia. Cartazes, peluches, fotos de mortos, flores... Um tema que abordarei...
Cito da informação turística: "História e charme medieval.
Tallinn é a capital da Estônia e está situada às margens do Mar Báltico. Seu centro histórico, conhecido como Old Town, é um dos mais bem preservados da Europa e foi reconhecido como Património Mundial pela UNESCO. Ruas de paralelepípedos, muralhas antigas, torres de defesa e igrejas góticas criam uma atmosfera única que remonta ao século XIII."
Vítor Franco

 





sexta-feira, 18 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #4

Rota da Cortina de Ferro #4
A volta de hoje e, ainda, voltando a Riga. Umas breves palavras sobre o gato no telhado e o Museu de Ocupação da Letónia, cito:
“ É um museu histórico localizado em Riga, capital da Letónia, que documenta os 51 anos de ocupação totalitária que o país sofreu no século XX.
- Fundado em 1993, o museu tem como missão "Lembrar. Honrar. Alertar."
- Ele retrata os períodos de ocupação:
- Soviética (1940–1941)
- Nazista (1941–1944)
- Soviética novamente (1944–1991)
- O acervo inclui mais de 60.000 itens, como documentos, objetos pessoais, fotografias e testemunhos em vídeo de sobreviventes.”

 
Independente das visões ideológicas de cada pessoa, é um museu interessante. Pela crueldade fascista, realço as fotos sobre o fuzilamento nazi às mulheres. Mais de 200 mil pessoas foram assassinadas pela ocupação nazi dos países bálticos. Nem sequer construíram campos de concentração - era "matar a eito". A maioria foram judeus, mas também comunistas, ciganos, pessoas de esquerda, intelectuais...

Sobre a casa dos gatos no telhado, e cito:
“ O que é a Casa do Gato?

- Localizada na Meistaru iela 10, no centro histórico de Riga
- Construída em 1909 no estilo medieval com toques de Art Nouveau
- No topo, há duas esculturas de gatos pretos com as costas arqueadas e caudas erguidas, como se estivessem prontos para atacar
A lenda por trás dos gatos
- O dono da casa, um rico comerciante letão, queria entrar na Grande Guilda de Comerciantes, mas foi recusado — dizem que por preconceito contra letões
- Em retaliação, ele mandou instalar os gatos no telhado com os traseiros voltados diretamente para o prédio da guilda, como um gesto nada sutil de desprezo. As guildas eram associações medievais de comerciantes e artesãos que desempenhavam um papel central na vida econômica e social da cidade.
- A guilda ficou ofendida e levou o caso à justiça. O comerciante foi obrigado a girar os gatos para uma posição mais respeitosa.
Curiosidades
- A história tem variações: alguns dizem que o alvo da provocação era a prefeitura de Riga, não a guilda
- Hoje, os gatos são um dos símbolos mais fotografados da cidade, e a Casa do Gato virou ponto turístico obrigatório.”
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Hoje a volta foi para chegar cedo a Parnu (as últimas 4 fotos), ir à praia que está um calor enorme, visitar bonitas casas de madeira e preparar a minha ida para Tallinn. Pelo caminho conversei com cicloviajantes que estão a fazer norte-sul, a minha conversa com eles foi decisiva para decidir alterar o percurso: não vou fazer as ilhas.
Vítor Franco

 
 






quinta-feira, 17 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #3


Rota da Cortina de Ferro #3
Entrei na Estónia por uma estrada de terra. Foi dia de pedalar, 104km, fora quando o relógio esteve desligado.

O destaque #1 do dia é para o museu de bicicletas, uau, que maravilha, dezenas de bicicletas, muitas com muito mais de 100 anos.
 


O destaque #2 é para a paixão que elas têm pelas minhas pernas; os braços nem tanto - talvez por os bíceps não serem grande coisa. Elas adoram mesmo muito!
A tal pouco que se paro próximo da floresta, que aqui é em quase todo o lado, lá estão elas a vir dar beijinhos...
Quer dizer, é mais dentadinhas! As minhas perninhas estão a ferver de tanto carinho. Acho que estas que falo gostam é de swing e trocam de parceiro em alta velocidade.
Uff, dão cabo de mim, não me aguento com tantas.
Quem são elas? As melgas! .
O dia acabou num bungalow de um parque de campismo a comer um prato da minha adorada aveia sem glúten.
Vítor Franco




quarta-feira, 16 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #2


Rota da Cortina de Ferro #2
Sair de Riga foi uma complicação e, como é hábito, perdi-me. Foi uma procura permanente de manter a rota aerovelo, mas não fui capaz, lá me fui safando, até fiz um círculo e fui parar ao mesmo sítio .
Esta região está cheia de lagos, e as povoações não são muito na "linha" algo perto da costa, sem ter aqueles estradas costeiras talvez porque os lagos não o permitem.
Entre estrada nacional, outras em aldeias , outras na floresta, lá fiz uns 75km.
No facebook, aqui, p artilho alguns pequeninos vídeos elucidativos do percurso. Depois de me ter safado de uma chuva torrencial por estar a almoçar, tive direito a prémio com outra brutal tempestade de água e trovoada, até a roupa de um saco que eu pensava impermeável ficou molhada, agora está a secar , uff...
Sem tempo para voltar ao relato do museu da ocupação e ao gato no telhado, partilho o excelente almoço. Estava divinal, a sopa nem consigo explicar o que era, o segundo foi um prato com raízes no Cáucaso. Imagina-se a comer parras de uva como se fossem couves a enrolar salsicha mas era tipo morcela de arroz? Aqui vai ele:

 O que é a Dolma, exatamente?
" Dolma tradicionalmente são rolinhos feitos com folhas de uva recheadas com carne moída, arroz e especiarias.
- Lavash é um pão fino e macio, típico da Armênia e de outras regiões do Cáucaso.
- Quando o dolma é servido em lavash, ele pode vir como um wrap ou sanduíche, com o recheio de dolma envolto no pão.
- O molho de alho geralmente é feito com iogurte, alho fresco, limão e ervas — dá um toque cremoso e picante que combina perfeitamente com o recheio. "
Citação da descrição da "Dolma".
Vítor Franco
Mais imagens e vídeos no meu perfil de facebook, aqui.

       

terça-feira, 15 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #1

Rota da Cortina de Ferro #1, #Riga
Visitar a Letónia é mesmo visitar a Cortina de Ferro. As notas de hoje são apenas alguns exemplos de como os povos bálticos têm essa história muito particular, é recuar a tempos de guerra ainda bem presentes na memória, nos monumentos e na museologia. Amanhã conto do museu da ocupação e resistência e da história do gato preto no telhado.

1. “ Torre da Pólvora.
A Torre da Pólvora é uma estrutura cilíndrica erguida no século XIV como parte das fortificações da cidade.
É a única torre remanescente das dezoito que faziam parte da antiga muralha da cidade. Ao longo da sua história, serviu como prisão, câmara de tortura e sede de uma fraternidade. Atualmente, a Torre da Pólvora abriga o Museu da Guerra.
 
2. Monumento à Liberdade.

Monumento homenageia os soldados que morreram durante a Guerra de Independência da Letónia.
Design e Simbolismo:
Construído em 1935, foi apelidado de "Milda" pelos habitantes de Riga e apresenta a figura da Liberdade segurando três estrelas, simbolizando a união das regiões da Letónia. Está localizado no centro de Riga, no início do Bulevar Brivibas, e é um ponto de referência facilmente reconhecível.
Significado Histórico:
O Monumento da Liberdade serviu como um local importante para manifestações e protestos durante período soviético, simbolizando a luta pela independência.
 
3. Imagem do rasto dos pés.
É um monumento comemorativo do "Baltijas Cels"(Caminho Báltico), um evento histórico significativo:
O Caminho Báltico foi uma cadeia humana pacífica e massiva que ocorreu em 23 de agosto de 1989, ligando as capitais da Estónia (Tallinn), Letónia (Riga) e Lituânia (Vilnius). O objetivo da ação era chamar a atenção da comunidade internacional para a ocupação e anexação ilegal dos Estados Bálticos pela União Soviética em 1940,e para a importância do Pacto Molotov-Ribbentrop de 1939 nesse processo.
Milhões de pessoas formaram esta cadeia humana, demonstrando o amplo apoio popular à ideia da independência dos Estados Bálticos.
 
4. Casa dos Cabeças Negras.

História e Função Original:
Construída em 1334,a Casa dos Cabeças Negras serviu originalmente como armazém, local de reuniões e celebrações para comerciantes. No século XVII, tornou-se a residência da Irmandade dos Cabeças Negras, uma sociedade de mercadores e armadores solteiros.
Destruição e Reconstrução:
O edifício original foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial em 1941 e demolido em 1948 pelos soviéticos. Foi meticulosamente construído entre 1996 e 2000, reabrindo em 1999.
Uso Atual:
Atualmente, funciona como museu e centro de eventos, acolhendo exposições e eventos culturais. Os visitantes podem explorar as suas lindas salas e as catacumbas.
 
5. Žanis Lipke é um dos herois mais admirados da Letónia durante a Segunda Guerra Mundial.
Quem foi Žanis Lipke?
- Trabalhador portuário em Riga, Letónia.
- Durante a ocupação nazista, usou seu trabalho nos armazéns da Luftwaffe para resgatar judeus do gueto de Riga.
- Construiu um abrigo subterrâneo sob seu galpão em Ķīpsala, onde escondeu judeus com ajuda da esposa Johanna e amigos.
- Estima-se que tenha salvado cerca de 55 pessoas, o que representa uma parte significativa dos poucos judeus que sobreviveram na Letónia.
Reconhecimento e legado
- Em 1966, ele e Johanna foram reconhecidos como Justos entre as Nações pelo memorial Yad Vashem.
- Há um memorial dedicado a ele em Riga, construído no local onde ficava o abrigo.
- Sua história inspirou o filme letão “Tēvs Nakts” (O Pai da Noite), lançado em 2018. ”. Quando cheguei ao seu museu já estava fechado.

Grande parte do texto está entre aspas porque são citações das descrições.
Esta cidade tem imensos e belos jardins.
Vítor Franco
Mais imagens e vídeos no meu perfil de facebook, aqui.

sábado, 29 de março de 2025

REGRESSO DA GALDÉRIA


A galdéria vai para casa. O problema é que fez uma birra, quis ir num saco almofadado. A menina é exigente, uff, não é fácil aturá-la... Bem vistas as coisas ela até merece, por isso lhe comprei um bolo típico - não quis -, ao que isto chegou!
Desde que lhe pus o chip de inteligência artificial que ficou mais esperta que eu. Ah pois, houve subidas grandes que me mandou descer e empurrá-la estrada ou encosta acima... Até me fez lembrar a história do velho e do burro, só faltava a minha neta!
A galdéria desta vez sofreu um bocadinho, [reconheço] queria ar condicionado que tinha frio, disse que era por causa de um tal Martinho [nunca ouvi falar nesse tipo, só o da água-pé], depois queria uma vela de barco que era para aproveitar a água da chuva e o vento, por fim, à chegada quis ficar em San Martín Pinario porque o Jorge Salgueiro lhe esteve a dizer que era ótimo.
Uff, ainda bem que vou para casa, vejam bem que esta menina parava em quase todos os peregrin@s e oferecia água e barritas. Uff... Aprendeu com a Paula Francisco, já sei... Até magnésio e protetor solar queria dar, uff, como se fizesse sol...
Um dia telefonou ao José Paulo , queria trocar de dono... É que a do Zé é irmã quase gémea e esta pensava que me enganava...
Havia dias que chamava o Luis Faria, que eu tinha era paixão era pela bici do Luís, uff, que ciumenta... Outro dia telefonou ao Nuno Tiago porque queria ir fazer tratamentos nas suas termas... Vá lá entender isto, passou por tantas termas e não quis ir a banhos porque já tinha o da chuva... Agora queria ir a tratamento do Nuno, bzzz...
"Não há condições" já dizia o Zé Maria, o grande vencedor do primeiro big brother, aliás, em quem o Montenegro se inspirou para querer uma moção de confiança aos negócios imobiliários da malta da casa....
Com isto tudo, aqui vou eu, com a barriga ainda maior, apesar de mais de 600km e de mais de 8 de altimetria, já sei, culpa do caldo galego... Acho que me vou dedicar à pesca, é mais pacífico!!! Ou não???
#caminhodesantiago #viadelaplata
Vítor Franco

sexta-feira, 28 de março de 2025

A MAGIA DA PRAÇA DO OBRADOIRO


Cheguei. Quando a vontade supera o frio, o vento e a chuva, vê-lhe sorrir o sol e a meta torna-se mais plausível!
Quando chego fico sempre um bom tempo sentado a "curtir" o ambiente. É uma sensação de realização, apesar de ser a sétima vez que aqui chego de bicicleta.
Não será a última!


Vítor Franco

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #17 e última

Se há mensagem que ainda pode elucidar a vivência destes povos é esta que partilho neste vídeo. Ouçam e vejam. E pensem, pensem o que podem ...