domingo, 3 de agosto de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #17 e última

Se há mensagem que ainda pode elucidar a vivência destes povos é esta que partilho neste vídeo. Ouçam e vejam. E pensem, pensem o que podem fazer pela cidadania, pelo lugar onde vivem - o vosso lugar!

Até à próxima cicloviagem.

Vítor Franco

sábado, 2 de agosto de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #16



A rota chegou ao fim. Regressei a Riga em mais um excelente transporte Lux Express. Dei mais umas voltas pela cidade e tirei mais umas fotos. Voltei ao pequeno hotel que me recebeu quando cheguei e guardou a minha caixa de papelão de levar a bicicleta de avião. A dificuldade foi desmontar o pedal direito, estava muito apertado , não foi capaz. Resolvi arriscar, afinal fica do lado do desviador e até serve de proteção. No embarque da bike só me perguntaram se tinha diminuído a pressão dos pneus, safei-me. A lição fica, da próxima levo uma pequena chave francesa e quando montar os pedais limpo bem as roscar e ponho massa ou spray lubrificante.

Fui "preso" na Lituânia, comido pelas melgas nas florestas da Letónia, "mirei" donzelas esguias de olhos azuis na Estónia, aprendi arquitetura na capital finlandesa...

Foto na antiga prisão de Vilnius, simulando a foto de chegada do preso.

A Cortina de Ferro foi a ocupação soviética, mas, talvez muito mais, foi a matança de judeus, insurgentes, comunistas e democratas que o ódio nazi fez, calcula-se 200.000 mil pessoas.
Acabou a rota...
Afinal, quem fui por aqui?
Fui andarilho, por terras do Báltico...
Andarilho... Nome de canção do mestre Zeca...
José Afonso faria hoje 96 anos, obra imortal!
Vítor Franco
"Andei à giesta
Ao lírio maninho
Na Bouça da Fresta
No Casal Velido
Erva cidreira
À erva veludo
Na Lomba regueira
No Pinhal do Mudo".
Em Cantares de Andarilho
https://youtu.be/6fs5PE0TIG0?si=qKh2vIkGYUtO69yr

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #15

Porque é que as cruzes das religiões são diferentes?


A este ateu confesso, que gosta de aprender, despertou a curiosidade: porque é que as cruzes ortodoxas são diferentes das católicas?
Fiz uma pequena pesquisa na net, nas várias páginas da IA, e descobri isto que passo a citar.
"As cruzes das igrejas ortodoxas e católicas refletem diferenças profundas na teologia, na tradição e na estética de cada ramo do cristianismo.
Cruz Ortodoxa
A cruz ortodoxa geralmente tem três barras horizontais:
- Barra superior: representa a inscrição colocada por Pilatos — “INRI” (“Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”).
- Barra do meio: é a principal, onde os braços de Jesus foram pregados.
- Barra inferior inclinada: simboliza o apoio para os pés. A inclinação representa a balança da justiça — o lado elevado aponta para o bom ladrão que foi salvo, e o lado baixo para o ladrão que rejeitou Jesus.


Essa forma transmite a ideia de Cristo como juiz e redentor, e enfatiza a ressurreição e glória divina, mais do que o sofrimento físico.
As igrejas ortodoxas têm cruzes diferentes consoante o rito?
Sim, existem variações nas cruzes ortodoxas conforme o rito, a tradição regional e até o período histórico. A Igreja Ortodoxa não é monolítica — ela inclui várias jurisdições com práticas distintas, e isso se reflete também na simbologia das cruzes.
Exemplos de cruzes ortodoxas por rito ou tradição
- Cruz Ortodoxa Russa:
- Tem três barras horizontais: a superior (INRI), a central (braços) e a inferior inclinada (apoio dos pés).
- Muito usada na Igreja Ortodoxa Russa e nas igrejas que seguem o rito eslavo.
- Cruz Bizantina ou Grega:
- Frequentemente tem quatro braços iguais, formando uma cruz grega.
- Pode incluir letras como IC XC NIKA (“Jesus Cristo vence”) e é comum na tradição grega e balcânica.
- Cruz de Santo André:
- Em forma de X, associada ao apóstolo André, padroeiro da Rússia e da Escócia.


- Usada em algumas tradições eslavas e também como símbolo nacional.
- Cruz Ortodoxa Sérvia:
- Pode incluir quatro letras “C” ou “B” nos cantos, representando “Só com Cristo, Salvador” ou “Só Deus Salva”.
- Cruz Ortodoxa Etíope:
- Extremamente ornamentada, com padrões geométricos complexos.
- Reflete a estética africana e a tradição copta ortodoxa.
Influência do rito e da cultura
Cada cruz carrega não só um significado teológico, mas também identidade cultural e litúrgica. Por exemplo:
- Igrejas que seguem o rito bizantino tendem a usar cruzes mais simbólicas e decorativas.
- Igrejas do rito antigo eslavo (como os Velhos Crentes) mantêm formas mais tradicionais e simbologias específicas."
Pronntttssss, já aprendemos qualquer coisa mais :)
Vítor Franco






quinta-feira, 31 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #14

A história de uma fotografia com 90 anos, a linda atitude de um desconhecido e a matança dos judeus.

A foto, com 90 anos, da avó do meu amigo.

Veio um pedido: “será que em Vilnius se consegue descobrir a casa de meus avós?”. E enviou uma foto de uma loja de ferragens pertencente à família.
Braços abertos ao pedido. A boa amizade convoca o dever de retribuir. Será que se consegue descobrir? Será que a loja M. Glazman terá resistido depois dos bombardeamentos da 2a guerra mundial? Além da loja haverá uma casa?
Só tínhamos uma fotografia, com 90 anos…
Pensou-se um plano, começar pelas aplicações de inteligência artificial, cruzar informação, (...).
As aplicações detetaram possibilidades, provavelmente era uma loja no bairro judeu, deram três ruas como prováveis. Confere, a família tinha tentado fugir à matança que a invasão alemã fez - nem sequer levaram as pessoas para os campos de concentração, foi matar rápido. Nem toda a família conseguiu salvar-se, só duas pessoas…
No translator escrevi um texto em português, com tradução para lituano. Começou a pesquisa nas ruas indicadas, primeiro pela semelhança da fachada da loja, depois pela pergunta nos logistas. E que bonito foi ver que pessoas desconhecidas se prontificavam a ajudar, não sabiam, mas telefonavam a tentar informações. Sem sucesso…
Nova rua, novos olhares indagando semelhanças nas fachadas… Sem sucesso.
Terceira rua, algo aqui parecia trazer boas novas, fim da rua, nada… A esperança é a última coisa a morrer!
Na última casa, um bonito restaurante, tinha um senhor à porta. Não custava perguntar… Tradutor, foto… O senhor vai pesquisar, pesquisa, pesquisa… Os minutos parecem carregar fardos de “ansiedade” e expectativa… Num momento diz: “eu sei onde fica”, uau, “venham comigo, vou levar-vos lá”...
Que maravilha, como descobrir uma velhinha loja de ferragens de há 90 anos?!
A fresca chuva deu ajuda ao passo rápido, esquerda, direita, em frente, para um lado, outro lado, atrás, à frente, o senhor olhava para o Google Maps e para o site que consultava…
A dado momento pára e diz, ali era a casa da família Glazman!!!

Esta entrada dá para um pátio com casas à volta. Aqui morava a família, na rua Rūdninkų g. 11 - 12.

As emoções arrepiaram a pele, o coração bateu mais forte, estávamos a viajar no tempo, a regressar ao lugar onde uma família que vivia feliz teve de fugir e viu os seus laços serem destruídos pelo ódio nazi. “A casa dos Glazman era no primeiro andar” disse o nosso guia, “porque aqui o número 12 fica por cima”...
Que família viveria agora naquela habitação? Teriam conhecimento da trágica história da casa da família que ali tinha tentado crescer com as suas crianças, da avó que a todos deixou boas recordações?
As casas ladeavam um pátio, quase ao jeito das “ilhas” do Porto. Que poderia este pátio contatar-nos hoje, das brincadeiras das crianças, dos convívios vizinhos, das festas ou actos religiosos?
A chuva miudinha continuava…
“Falta descobrir a loja” disse-nos…
“Vamos…”, retornou às pesquisas, ao site, às fotos… Voltámos ao passo rápido, esquerda, direita, em frente, para um lado, outro lado, atrás, à frente…
“Encontrei, era aqui”!
O lugar onde há 90 anos existia a loja de ferragens.

Mas a foto da loja não era igual… Pois não, as bombas nazis tinham destruído quase todo o quarteirão em nome de uma raça superior, em nome do ódio - do nós [os superiores] contra eles, os outros. Uma narrativa que hoje se reconstrói contra os imigrantes e os ciganos, nós contra eles, os bons contra os maus, sempre contra os mais fracos…
Mas, voltando…
Tirámos fotos, partilhámos com os amigos o tempo de hoje que tende a esquecer as vidas do passado…
Regressámos, contentes, ao restaurante de partida. Pedimos comida e convidámos o nosso novo amigo para jantar connosco, agradeceu e foi buscar o seu computador. E trouxe-nos mais informação, mais fotos da família, mais conforto…
Declinou o convite para jantar, “eu sou o dono” disse, e foi trabalhar.
O jantar estava sublime, delicioso, criativo, enquadrado num ambiente “Agatha Christie” excelentemente decorado.
Voltou à conversa, trocámos contatos… Falo do magnífico ser humano que é o Senhor Robertas, ele é o dono do restaurante Puaro que fica aqui: https://maps.app.goo.gl/QcJNEWKqLmgFqsfP6
Labai ačiū! Robertas!
Chove em Vilnius!
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A matança nazi dos judeus
Cito: "Os números anteriores à Segunda Guerra Mundial são impressionantes: a população judaica de Vilnius era de quase 100.000 habitantes, cerca de 45% do total da cidade. O país estava repleto de cerca de duzentas comunidades judaicas, que sustentavam a vida e o sustento de cerca de 240.000 pessoas. Vilnius tinha 105 sinagogas e casas de oração. Havia seis jornais judaicos diários. O iídiche era a língua escolhida. De facto, a cidade foi apropriadamente chamada a Jerusalém da Lituânia.
Os números do pós-guerra são assustadores: apenas 24.000 judeus sobreviveram. Ou, melhor dizendo, 90% dos judeus foram assassinados. A população judaica de Vilnius é hoje de 5.000, apenas 5% do que era antes. O país alberga apenas 6.500 judeus, cerca de 200 dos quais são sobreviventes do Holocausto. A maioria das duzentas comunidades pré-guerra foi dizimada, completamente apagada do mapa. Existe apenas um jornal judaico. Poucas pessoas falam iídiche atualmente. Hoje, resta exatamente uma sinagoga em Vilnius".
"Entre os testemunhos emocionalmente angustiantes recolhidos em livro, uma senhora idosa contou a Vanagaite: "Muitas pessoas queriam ajudar as crianças judias, mas tinham medo. Não dos alemães, mas dos seus próprios."
Foto de esconderijos de crianças dos nazis em sotão
 
Foto de esconderijos de crianças dos nazis em cave e buracos

A Lituânia albergava uma comunidade de mais de 200.000 judeus antes da Segunda Guerra Mundial. Mas os historiadores afirmam que cerca de 195.000 pereceram às mãos dos nazis e dos colaboradores locais durante a ocupação alemã de 1941-44, quase toda a população judaica.
Segundo alguns estudiosos e historiadores "o assassinato em massa dos judeus de Vilnius não poderia ter ocorrido sem a ajuda dos lituanos: os alemães não tinham homens suficientes para a tarefa. Posto isto, é importante recordar que a dupla ocupação da Lituânia, pelos soviéticos e depois pelos alemães, representou uma rutura extremamente violenta com a história anterior de Vilnius e da Lituânia. Embora os alemães não tenham tido dificuldade em encontrar lituanos dispostos a matar judeus, o que aconteceu em 1941 não tinha precedentes na política lituana pré-guerra nem na história das relações entre a Lituânia e os judeus."
Vítor Franco

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #13

 

Hoje foi dia de guiar maltinha fixe pelas ciclovias e percursos na floresta, pelo que, o percurso foi idêntico ao feito no dia 24. Foram cerca de 30km de passeio na natureza, em percurso circular, vindo, cá abaixo, ao Vingis Parka [a bateria do relógio acabou e só mostra metade do percurso], com direito a gelado [sem glúten :)], um percurso fácil e muito prazeroso com imensa gente a aproveitar e as melgas a morderem-me as pernas :).
Para as pessoas mais audazes no Caminho de Santiago ficam a saber que aqui começa o Caminho Lituano. Se tiverem as imensas possibilidades de fazer uns milhares de km e gastar uma notinha, podem começar aqui a na Igreja dos Santos Apóstolos Filipe e Tiago que foi construída em 1624 e é de inspiração barroca.

   

Vítor Franco

terça-feira, 29 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #14

Sinagoga


 

  

Igreja ortodoxa

Igreja ortodoxa
 
Recebi alguns contatos pedindo sugestões de visitas. A minha dificuldade foi não haver, à data que iniciei, voos diretos a Vilnius, pelo que tive de começar por Riga. De qualquer das formas o serviços dos autocarros Lux Express é magnífico e barato.

Não vale a pena repetir o que já escrevi e escriverei, pelo que deixo fotos e uma sugestão do Copilot IA.

Aqui fica o roteiro da IA:" Roteiro de 3 Dias em Vilnius – Cultura, História e Emoção.
Dia 1 – Coração Histórico e Boemia de Užupis
Manhã: Patrimônio e Espiritualidade
- Catedral de Vilnius e Cripta dos Grão-Duques
- Torre do Sino para vistas incríveis
- Palácio dos Grão-Duques da Lituânia
Meio-dia
- Universidade de Vilnius (fundada em 1579): Igreja de São João e biblioteca histórica
- Almoço no Lokys – restaurante medieval
Tarde: Užupis – Arte e Liberdade
- Ponte para Užupis e leitura da “Constituição” do bairro
- Galerias contemporâneas, como a Užupis Gallery
- Café à beira do rio no Užupio Kavine
Noite
- Rua Literatų (homenagens a escritores)
- Jantar no Etno Dvaras – comida típica com ingredientes locais
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Dia 2 – Memória e Cultura Judaica
Manhã: Museu das Ocupações e Lutas pela Liberdade
- Cela da KGB, salas de tortura, exposições sobre repressão nazista e soviética
- Memorial às vítimas da ocupação
Tarde: Bairro Judeu – A “Jerusalém do Norte”
- Monumento ao Vilna Gaon
- Sinagoga Coral de Vilnius (ainda ativa)
- Local da Grande Sinagoga de Vilnius e antigos becos do gueto
- Tour guiado a pé para entender as histórias marcantes da resistência
Almoço
- Beigelistai – bagels frescos com produtos locais
Final de tarde e Noite
- Senatorių Pasažas: galeria gastronômica charmosa
- Chocolate quente na Chocolate Naive
- Apresentação no Teatro Nacional ou coquetel com vista no Skybar
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Dia 3 – Natureza, Panorama e Castelo de Trakai
Manhã em Vilnius
- Caminhada no Parque Bernardinai
- Subida à Colina das Três Cruzes
- Vista no Bastião de Artilharia
Meio-dia: Bate-volta ao Castelo de Trakai
(30 km de Vilnius – ideal para tarde completa)
- Castelo medieval em ilha rodeado por lagos
- Museu com artefatos da época dos Grão-Duques
- Passeio de barco opcional
- Almoço com pratos típicos caraítas (como kibinai)
Noite
- Retorno a Vilnius
- Jantar tranquilo no Balzac (franco-lituano, ambiente intimista)".

Espero que gostem desta verde, bela e limpinha capital património mundial.
Vítor Franco

domingo, 27 de julho de 2025

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #12

O Museu das Ocupações e Lutas pela Liberdade, em Vilnius, é um lugar esclarecedor do sofrimento das ocupações, não só e em particular sobre judeus e ciganos, para todas as pessoas que se lhes oponham.
Está na antiga prisão e prédio do KGB; partilha também o nascimento e derrota militar do movimento partisan de independência.

 

Da sala de fuzilamentos, às de tortura, das micro “salas” de castigo onde quase só se conseguia estar em pé, às salas em que os presos eram colocados numa pequena plataforma circular de onde se saíssem ficavam dentro de água gelada, acabo por ficar surpreendido por tanta imaginação na maldade e ódio “humano” - mesmo depois de ter visitado 4 campos de concentração nazi fascista.

Fotos de crâneos com tiros na cabeça 

 
De tarde estive solidário no protesto de refugiados bielorrussos pela libertação da prisão de centenas de pessoas, ou milhares, que se opõem a este regime e lutam pela democracia.

 

O dia 27 de julho tem um significado histórico especial na Bielorrússia: “foi nesta data, em 1990, que o país proclamou a sua Declaração de Soberania, marcando um passo decisivo rumo à independência da então República Socialista Soviética da Bielorrússia.
Por que essa data é marcante?
- Representa o início da transição da Bielorrússia para um estado soberano e independente.
- A declaração afirmava o direito da Bielorrússia de determinar seu próprio destino político, econômico e cultural.
- Embora a independência formal tenha sido reconhecida em dezembro de 1991, o 27 de julho é visto como o nascimento da soberania nacional.
- Oficialmente, o Dia da Independência é celebrado em 3 de julho, data da libertação de Minsk dos nazi fascistas em 1944.”
Por tudo isto, a publicação é só sobre estes temas e as fotos de hoje estão em cinzento.
Vítor Franco

Rota cultural pelos países bálticos com bicicleta #17 e última

Se há mensagem que ainda pode elucidar a vivência destes povos é esta que partilho neste vídeo. Ouçam e vejam. E pensem, pensem o que podem ...